O PAPEL HISTÓRICO DOS MILITARES NO COMBATE AO COMUNISMO
 

 
Ninguém é professor de tudo 



Ernesto Caruso



       A natureza humana é muito limitada. A vida, a terra, o mundo e até além da vida foram e são estudados e ensinados pelas ciências de forma compartimentada. Para a compreensão do todo se tenta dividi-lo em partes. Pouco se sabe em relação ao muito que se desconhece.



       Medicina, Engenharia, Economia, etc geram os profissionais de cada área. Cada um aprofundando conhecimentos e especializações sem descuidar da visão periférica atinente ao convívio em sociedade. Os militares fazem parte dessa História.



       No Brasil, foi um segmento importante contribuiu na formação da nacionalidade e para o desenho da fronteira do vasto território. No ensino foi parte do Berço fardado dos doutores. 



Como os demais cursos superiores, o acesso às Academias Militares se faz através o vestibular e posteriormente mediante disputado concurso para os Cursos de Comando e Estado-Maior. A carreira se desenvolve nos níveis formação, especialização, mestrado e doutorado em Ciências Militares, integrado a profundo conteúdo atinente à Administração.



Não são cursos cuja ausência é tida como frequência, nem com as greves se é aprovado por compreensão.



Muita gente sabe disso, mas há os que desconhecem e pensam que militar só faz ordem unida.  Cada quartel é uma escola onde os soldados-alunos precisam manusear armamentos cada vez mais sofisticados.



       Teoria e prática se associam na vida. Prêmio Nobel é para poucos, assim como a soberba não é medalha para muitos.



Pois é, foram os militares que venceram os comunistas empenhados na luta armada, mesmo os mais ilustrados, estudiosos do marxismo.



Com apoio da estrutura vigente adaptada inteligentemente ao momento. Araguaia, Caparaó, Vale do Ribeira, aparelhos, etc. Chefes incompetentes, jovens seduzidos comunistas derrotados.



Como escreve A. Sirkis em OS CARBONÁRIOS, também se interessa pelo marxismo, "Trotski, o Profeta Armado", a injustiça social, livros e mais livros, "subtraindo sucessivamente às livrarias". Faz crítica ao modelo soviético, cita a China, Cuba e o exemplo do Che. Lê Guerra de Guerrilhas do Che. Converte-se à causa vietcong.



E daí, juntos e misturados perderam a guerra, fugiram, mataram, se redimiram, estudaram o outro lado e repudiaram o comunismo.  



Uns aprenderam, o renegaram, outros ainda ganharam uns trocados, tipo mega-sena, vivem e ainda tentam implantar os seus sonhos por meios pacíficos. Usam a democracia para dominar sem empreender a luta armada, o que não significa abandonar o uso da força e pressões de toda ordem e a expropriação sem precisar roubar o cofre. Assassinatos misteriosos, dossiês,...



       Os terroristas foram vencidos em 1935-Intentona Comunista, em 1964 e em 1960/70. Por quem? Pelas Forças Armadas, oficiais, praças, policiais, com apoio da sociedade e dos governos estaduais, quando muitos civis foram vítimas inocentes do terrorismo vermelho.



       No início da década de 1960, a Guerra Revolucionária estava em alta. Aprender e ensinar era preciso. Diversas fornadas viveram a guerra fria, o avanço comunista com a teoria do dominó a prosperar.



       Não foram os militares que perderam a guerra da comunicação, foi a sociedade, a que chamam de "sociedade civil organizada" que assistiu e participou da desconstrução cultural e social, como lição bem feita da doutrina comunista. Ativistas vermelhos infiltrados em todos os segmentos a soldo do capital. Nas novelas as famílias se desorganizaram, a figura paterna era deformada embrutecida, ignorante. Família desestruturada. Culto ao trivial, drogas contaminando, overdose suicidando.



Nas estórias, o autoritarismo era a constante na autoridade. Velho, o retrógrado, o conservador. O novo era o revolucionário, avançado, progressista, moderno. Artistas embevecidos ajudaram a disseminar o uso do veneno que produz zumbis, na hoje, praças do craque. Drogados se fizeram heróis, overdose o meio. Filmes produzidos. Morte prematura, tudo muito natural...



Professores comunistas ajudaram a deformar o jovem, hoje, mesmo os apartidários apanham na cara, levam tiro e surra dos pais inconformados. Foi-se o tempo que os alunos recebiam os mestres com reverência.



Célebre ficou o comentário de Roberto Marinho em resposta ao regime: "Cuida dos seus comunistas que eu cuido dos meus.".



Os órgãos formadores de opinião foram dominados. Inocentes úteis, companheiros de viagem, luta armada, via pacífica eram linguagem comum nas instruções militares.



       Na fase ARENA/MDB alianças e apoios eram feitos com o PC às escondidas, infiltração na administração pública, recrudescendo pós-Sarney (1985) no bojo dos compromissos na votação pelo Congresso em Tancredo Neves.



       As Internacionais Comunistas ditavam as ordens. Antonio Gramsci nem era ouvido.



       A Tchecoslováquia foi dominada sob a luz da democracia. Tomada do poder por infiltração, pressão de cúpula, pressão de base. O Brasil reviveu esses acontecimentos. De um lado Governo/Congresso/Judiciário, de outro MST, CUT, UNE, mídia cooptada.



       A secessão continuava, invasões, reservas indígenas, quilombolas, cotas raciais... Corrupção, descrédito nas instituições. Desgraçado 6x5 no STF em prol dos bandidos no julgamento do mensalão.



Comissão da   inverdade apoiada por inocentes úteis ou gente filo comunista. Como compreender, incentivada por entidades religiosas, sabendo-se perseguidas onde se implantou o regime cruel. Incoerente fidelidade à doutrina cristã e à marxista-leninista. 



D. Agnelo Rossi estava presente nos funerais do Sd Mario Kozel Filho morto no atentado terrorista ao QG do então II Exército. 



Dos ex-comunistas, alguns reconheceram os valores dos militares, escreveram, palestraram e repararam a injustiça pessoal. Mergulhados no obscurantismo vivido, remoem a derrota e destilam veneno contra quem os derrotou em combate. Vindita que não tem fim. As armas são outras. Palavras que tentam macular reputações.



As palavras do prof. Olavo de Carvalho em "Reparando uma injustiça pessoal", na palestra no Clube Militar (31/03/1999) têm conotação diferente:



- "eu era militante do Partido Comunista e odiava os militares eu os chamava de "gorilas.



- Hoje em dia, quando os esquerdistas estão no poder... já não estou ao lado deles e estou aqui falando para vocês.



- De lembrar aos senhores que minha vida pública começa em 1996, com o livro...



- Até aí a minha vida tinha sido muito modesta... dando minhas aulinhas e escrevendo uns livros de Filosofia que ninguém lia.



- ... eu também fui seduzido, eu também achei maravilhoso me imaginar o grande justiceiro... aos dezessete anos...



- Qual era o crime dos militares? Eles eram a direta... o mal



- foi revirando livros e documentos, fazendo entrevistas... que me dei contas dessas coisas



- eu vim a me preocupar em 1996, o Gen Castelo Branco se preocupou em 1963: dá para medir o tamanho da minha sonolência, da minha burrice, da minha idiotice?



- Dá para vocês medirem o estado de hipnose em que vivi durante todos esses anos entre 1964 e 1996, para um dia acordar e ver que este homem já havia percebido tudo isso trinta e três anos antes?



- Foi isto que aconteceu em 1964... Foi absolutamente genial. Não é qualquer um que desmonta uma bomba desse tamanho...



- Qual o regime... plano econômico que conseguiu retirar da miséria... 50 milhões de pessoas no prazo de uma geração.



- Nós fizemos. Que coisa irônica. Estou atribuindo a mim as obras e as glórias daqueles a quem eu abominava e chamava de gorilas.



- Quê posso fazer agora? ... posso dizer algumas coisas boas àquelas pessoas que participaram desses acontecimentos... Não adianta chegar hipocritamente e pedir desculpas. Não se envergonhem da sua obra... Não permitam que nenhum hipócrita... venha se fazer de seu fiscal."



 



Isto posto, a comparar visões pessoais sobre o mesmo interregno histórico é o mínimo diante da dissonância entre sujeitos do governo Bolsonaro que se agridem nos verbos e predicados.



De um lado, o vice-presidente e de outro os filhos do presidente. Parece ataque preliminar face ao próximo, nem tão próximo, pleito eleitoral.



 

 
O Autor é Coronel RR do Exército Brasileiro