EXCELÊNCIA MILITAR SÓ PODE SER AVALIADA POR QUEM ENTENDE
 

 

A excelência militar deve ser medida pelos que têm vocação, conhecimento e experiência para fazê-lo



Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido



Preocupante a decisão do presidente Iván Duque com a questionável nomeação da publicitada "comissão de excelência militar". Principalmente porque a principal voz desse sui generis conciliábulo será levada pelo senhor Gómez Méndez, reconhecido adversário ideológico das Forças Militares. Não se pode esquecer que quando este cavalheiro foi procurador-geral, umas ONG's comunistas publicaram um livro na Europa assinalando a vários oficiais de supostos crimes de guerra e na ocasião correram muitos rumores de que os dados aí consignados eram os mesmos que a Procuradoria tinha, o qual inferiria que puderam sair dali. A amnésia é grave.



Por outro lado, qual é o conhecimento de direito operacional, de doutrina militar de condução de tropas em campanha, de tomada de decisões em combate, de desenvolvimento de situações intempestivas, de planos táticos e estratégicos de guerra regular ou irregular, de manejo de planos maiores e estados maiores, etc., que estes três "experts" possam ter em excelência militar, que de maneira acalorada Duque selecionou para que pontifiquem sobre algo que ignoram?



E mais grave ainda que, apressado e de maneira pouco inteligente, o general Navarro, como quase todos de sua espécie, saia ante as câmeras a dizer que tudo o que os três sabios contratados por Duque digam, se implementará de imediato.



E ainda mais grave que, sem consultar de maneira inteligente e participativa todas as estruturas do mando militar, e supõe-se que sem nem sequer contar com o ponto de vista de generais e almirantes da ativa, Duque e seu "brilhante ministro comerciante" e talvez a estrategista Martha Lucía, decidiram passar por cima dos militares para continuar fazendo politicagem barata a seu favor, como fez Uribe com a Justiça Penal Militar, ou Santos, disfarçando seu filho de soldado, pondo militares vestidos de civil para fazer propaganda de sua paz e colocando no comando das Forças generais "multi-missão", bem ao gosto das FARC e do cartel da marmelada.



Mas há ainda algo mais: em que pese levar 50 ou mais anos de estar combatendo e negociando com as FARC e o ELN, mediante esta questionável decisão de Duque de convocar um comité de experts em excelência militar que sequer sabem diferenciar um fuzil de uma escopeta, ele demonstrou que não aprendeu com os terroristas que as decisões estruturais em qualquer organização se consultam desde as bases até as cúpulas, se avaliam, se analisam e se decantam para ser desenvolvidas a partir dos melhores cursos em ação.



Por azar, todas as decisões políticas ao redor do conflito na Colômbia que afetam as Forças Militares foram tomadas, desde sempre, de maneira irresponsável por civis despreparados, não raro ansiosos por protagonismo político pessoal, imediato e transitório.



Os exemplos abundam: Nomeação de ministro de Defesa civil, fuga de Pablo Escobar, responsabilidades no Palácio da Justiça, zona de distensão no Caguán, pacto Santos-FARC, traslado da Justiça Penal Militar à Promotoria, JEP e até a nomeação a dedo do general Mora, pelo que se comenta para que representasse os militares na mesa de imposições das FARC em Cuba, sem que se tivesse pedido o conceito pelo menos dos oficiais que mais combateram o terrorismo na Colômbia e estudaram a guerra. Mas Santos nomeou Mora porque não necessitava em Cuba de um militar pensante e com caráter, senão um que já havia deixado ver suas intenções com Pastrana, permitindo a retirada do Batalhão de Caçadores de sua sede, em troca de que não lhe tirassem os carros com escoltas, os telefones celulares e um sargento de sobrenome Rivas que carregava cestas de supermercado na Olímpica da 107.



Em síntese, esta nomeação da comissão de experts em "excelência militar" dirigida por alguém que aborrece as tropas, tem todos os indícios de uma péssima manobra de Duque e seus assessores para lavar a imagem pessoal e de seu governo, não de defender as tropas, como conseqüência das publicações do NYT que, ao que parece, foram instigadas por hienas carniceiras internas que ansiosas por ocupar o cargo de comandante do Exército, talvez urdiram essa manobra favorável à paz santista e às FARC.



Se os generais e almirantes ativos não se dão conta de que, uma vez mais, os dirigentes políticos de turno estão sacrificando as Forças Militares para salvar seu egoísmo, e se os membros da reserva ativa não aterrissarmos e nos dermos conta de que para Duque e seu partido a única coisa para o qual contamos são os votos que os situem em cargos onde os soldados e policiais os protegem sem que eles tenham a mesma lealdade com as tropas, continuaremos avançando para o despenhadeiro, além de que a esquerda habilidosa poderia cooptar muito votante, se os comunistas subissem ao poder e começaria a caça às bruxas na qual os principais afetados serão os que têm propriedades e muitas coisas que perder.



Diariamente vemos o que acontece na Venezuela e nos limitamos a dizer impropérios contra Maduro e seu regime, mas não temos a amplitude estratégica mental para intuir cenários evolutivos e muito menos para fazer ver aos generais e almirantes da ativa desde o ângulo da reserva, que uma coisa é a disciplina com obediência devida e lealdade à bandeira, e outra coisa é servir de cata-vento do politiqueiro de turno.



Será que, se algum meio de comunicação estrangeiro questiona a corrupção que há em todos os estamentos da justiça colombiana, de imediato o Congresso da República corre para nomear uma comissão de especialistas muito "amiguis" (como disse Duque de Gómez Méndez) e essa comissão de experts em justiça seja integrada por três veterinários, ou três topógrafos, ou três fisioterapeutas? Será que não corre sangue nas veias dos generais e almirantes da ativa para se dar conta do enorme favor que Duque fez à esquerda armada e desarmada, permitindo que qualquer carreirista com prevenções ideológicas contra as tropas venha pontificar sobre direito operacional? Será que os generais e almirantes da ativa não foram oficiais subalternos ou comandantes de unidades táticas, e por isso mesmo não se dão conta de que um espantalho politiqueiro oportunista para lavar a imagem do governo de turno só serve para afetar a moral combativa?



No momento creio que a justiça colombiana não teria tolerado que veterinários ou outras profissões diferentes da própria a revisassem. Os sapateiros fazem sapatos. E os militares de carreira combatentes e estudiosos da guerra são os que sabem de operações.



Nota de rodapé 1.



É bom que os generais e almirantes da ativa aterrissem e caiam na realidade de que nem Santos, nem o caricaturesco gordinho Villegas, nem os generais Rodríguez Barragán e Mejía Ferrero, que viviam ajoelhados ante as FARC já não estão mais. Então, devem voltar à aplicação da deontologia militar, a fazer valer o ser militar e fazer ver que só por respeito nenhum carreirista ou aparecido politiqueiro oportunista venha a lhes ensinar do que esse personagem ignora em grau máximo.



Nota de rodapé 2.



É aterrador o silêncio absoluto a respeito, de tantos advogados que foram magistrados do Tribunal Superior Militar, juízes penais militares, promotores delegados que até colocavam uniforme militar e usavam graus militares de oficiais. Não se os vê por nenhum lugar. Do mesmo modo ocorre com dezenas de advogados que foram oficiais e sub-oficiais e agora são "experts jurisprudentes". Nem uma queixa, nem um reclamo, nem uma coluna de opinião a respeito desses temas. Talvez sua mentalidade tenha sido sempre a de empregados e por isso não sentem nenhum afeto pela instituição militar. Na vinha do senhor há de tudo&hellip



Tradução: Graça Salgueiro