NOVAS ESPERANÇAS NO FUTURO
 

 

O PENDÃO DA ESPERANÇA

Jacy de Souza Mendonça




Felizmente estamos nos preparando para iniciar nova era de nossa História. É hora, por isso, de sonhar grande, de pensar grande, principalmente de cortar grande os grandes males do passado, com ousadia, sem constrangimento.



Por isso, informados de que o governo arrecada quase a metade de tudo o que a nação produz e gasta 80% dessa arrecadação apenas no custeio da máquina arrecadadora, sentimos a necessidade de nos debruçarmos com coragem sobre esse fato e pensar seriamente sobre a forma de superá-lo. Com tal propósito, aqui vão algumas considerações e sugestões, na esperança de que cheguem aos nossos futuros administradores, nos quais depositamos hoje todas as nossas esperanças. Muitos seriam os temas de nosso interesse, mas optamos por um só, provavelmente o maior e de mais difícil solução.



Por que mantemos em cada um de nossos 5.570 municípios uma Câmara com milhares de Vereadores (no mínimo 9 em cada uma, podendo chegar a 55), todos beneficiados por vencimentos e gratificações elevadas, cercados por gigantesca e caríssima entourage, nadando em mordomias sem fim? Qual a principal tarefa dessa equipe além de dar nome a ruas e praças e de comemorar datas mais ou menos importantes? Nada disso acontece na maioria dos demais países. Só aqui.



Por que, em cada um de nossos 26 Estados Federados e no Distrito Federal mantemos imensa equipe de Deputados, com atribuições assemelhadas, da mesma forma dispensáveis, com estrutura de vencimentos e gratificações inflados, com ainda maior entourage e ainda mais mordomias?



Não seria suficiente que Governadores e Prefeitos convidassem um grupo honorário de três a cinco integrantes cada um, percebendo apenas o jeton nos dias em que fossem convidados a se reunir, com o escopo de levar à administração informações sobre as necessidades e anseios do povo?



Por que precisamos de duas casas em nosso Congresso Nacional? Só porque a Inglaterra e os Estados Unidos são assim estruturados? Mas os ingleses precisaram conciliar incomunicáveis lordes com resistentes comuns os norte-americanos, no esforço de formarem uma federação, tiveram necessidade de acolher os reclamos dos Estados menos ricos, que exigiam a aplicação do princípio da igualdade - cada um deles queria ter o mesmo número de representantes dos demais - e, de outro lado, a exigência dos Estados mais populosos que insistiam na obrigação de contar com representação proporcional ao número de eleitores. Não temos e nunca tivemos problemas semelhantes teremos optado, então, pela bicameralidade por mera macaquice? Macaquice que nos custa muito caro, macaquice que nos torna pequenos. Uma casa parlamentar seria suficiente e, mesmo assim, com muito menor número de parlamentares, que chega hoje ao ridículo de exceder ao número de cadeiras disponíveis no plenário. Nem só

menos integrantes, também muito menor número de assessores, muito menos mordomia, muito menos benefícios.



Por que precisamos de empresas estatais, monstros deficitários, cabides de empregos? Não seria melhor deixar espaço aos brasileiros para se tornarem empresários?



Já imaginaram o montante de economia para o País que isso representaria? E o volume da renda acrescida? Dinheiro que poderia ser destinado a suprir carências com segurança, educação, saúde, previdência, habitação... Calculem também em quanto seriam reduzidos os lamentáveis 80% do total arrecadado, que jogamos fora.



Quixotesco sonho impossível? Talvez, considerando-se que os mesmos beneficiados atuais dessa orgia de gastos precisariam ser chamados a tomar providências indispensáveis ao conserto, que dependerá quase sempre de reformas constitucionais, e irá pesar no bolso deles mesmos.



Voltemos ao início: queremos ingressar em nova era política. Para isso, é necessário ousar, pensar grande, cortar grande. Insuficiente dispensar bagrinhos, é preciso enfrentar baleias e tubarões, é preciso vencer a resistência dos apaniguados de hoje, convocando, para enfrentá-los, os homens de bem, os patriotas que sonham com um Brasil mais feliz. Ora, todo chamamento à ação pressupõe o acolhimento de ideias são essas que nos movem, são essas que geram resultados. Toda ação, aliás, começa com uma ideia, que por vezes precisa ser plantada durante décadas. Se não é hora de executar meu sonho é hora de começar o plantio das ideias, de semear a mensagem de que precisamos urgentemente de um Estado muito menor, para termos um povo muito mais feliz.

Salve lindo pendão da esperança!