O VICE MOURÃO

 

Impeachment de Mourão



(por conduta indigna)



Ipojuca Pontes



25/04/2019



     Como diria o Marquês de La Palisse, não há mais idiotas. Ou melhor, nem todos são idiotas. Melhor ainda: não se pode enganar todo mundo o tempo todo. Pois, muito bem, semana passada (16/04/1019), o deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP) deu entrada em um pedido de impeachment contra o ostensivo general (da reserva) Mourão, vice-presidente da República eleito a reboque da liderança inequívoca de Jair Bolsonaro. 



     Feliciano, vice-líder do governo na Câmara, diante das atitudes de Mourão sempre adversas a Bolsonaro, alegou que o vice se conduz de forma "indecorosa, desonrosa e indigna", usando o cargo (com direito a habitação palaciana, carros, comida, roupa lavada e passada, serviçais, assessorias diversas, salário supimpa, ajuda de custo em dólar quando em viagens ao exterior, além de outras mordomias) para detonar, sem o menor escrúpulo, o Presidente da República.



     Voilá! Já era tempo de alguém fazer alguma coisa! 



     Há cerca de três meses, ao escrever o artigo "Cuidado com Mourão", registrei a sistemática deslealdade deste general com relação a propostas políticas defendidas por Bolsonaro - justamente as que tocaram fundo na alma da população brasileira e que levaram o então candidato ao poder, a despeito da mídia amestrada, do jogo sujo esquerdista e da ação assassina de bandido psolista que nada tinha de irracional. 



Na ocasião, me referi à deplorável subserviência com que o general de cabelos pintados tratava a comunalha da mídia radical, naturalmente seduzido pela luz negra dos holofotes. (Numa dessas entrevistas, acuado pela tropa de choque da Globo "Fake" News, Mourão se declarou um "homem de cultura" e, para comprovar o enunciado, disse ser um habitual "leitor dos livros de Miriam Leitão". Veja só a que culminância chegou a cultura do folclórico general!). 



    Mas, vamos ao que eu queria dizer: o Brasil é um país sempre aberto a ação de personalidades esdrúxulas em busca da notoriedade a todo custo. Isso, desde o "Chalaça", alcoviteiro real e puxa-saco que atingiu renome e postos no Primeiro Reinado de Pedro I. Mais tarde, além do deputado Barreto Pinto, que posava de fraque e cuecas para revistas e jornais, tivemos, na "volta da democracia", o caso singular do cacique Juruna, deputado que se tornou famoso por conduzir um gravador ao entrevistar "autoridades competentes".



     Outro fenômeno que causou espanto geral foi o do Beijoqueiro, "serial kisses" que ganhou fama nacional por beijar, com ou sem permissão, quem lhe passasse pela frente - inclusive o Papa. Houve também o caso do travesti argentino Isabelita dos Patins, que vivia patinando na Av. Atlântica, no Rio socialite, até encontrar o candidato Fernando Henrique Cardoso, com quem se deixou fotografar sorridente para ganhar fama imediata e consagração da mídia.



     Outro espécime que cavou fundo a notoriedade malsã foi Carlos Imperial, o "Rei da Pilantragem". Imperial seguia com método a prática de mentir, plagiar, inventar histórias e distorcer os fatos, ao gosto da mídia, para permanecer no noticiário. O pilantra tinha sua receita para ganhar as manchetes: "Se quiser chamar a atenção sobre você, comece a falar mal da pessoa que estiver em maior evidência no momento. É tiro e queda!".



    (Certa vez, em 1968, plagiando o que fez John Lennon na Inglaterra, Imperial mandou para o Presidente Costa e Silva cartão de Natal em que aparecia nu sentado no vaso sanitário, com os dizeres: "Que Papai Noel não faça no seu sapato o que eu estou fazendo agora na privada". O pilantra, no entanto, se deu mal. Uma semana depois foi mandado para Ilha Grande, onde a turma do bicheiro Castor de Andrade, então preso por contravenção, lhe deu uma penetrante - e dolorosa - lição).



     Para além do impeachment, pode-se dizer que Mourão entra fácil no rol das personalidades esdrúxulas que cortejam o receituário do "Rei da Pilantragem" como forma de se manter no foco da mídia amestrada - esta, em geral, a exemplo da assumida parceria com Mourão, o falso esperto, voltada para deformar ou denegrir a figura política de Jair Bolsonaro.



     Como anotei anteriormente, a estratégia oportunista de Mourão (e seus pares) consiste em participar de entrevistas televisivas, palestras em recintos fechados, solenidades em quartéis



ou encontros em associações previamente escolhidas - para espicaçar o Presidente. De fato, na sua vida política menor, Mourão, ao contrário de Bolsonaro, jamais se fez ouvinte do irresistível apelo das massas nos comícios públicos, onde se exerce a verdadeira democracia. Jamais participou das vibrantes manifestações ou passeatas da classe média, jamais compartilhou das aspirações populares. Muito pior, jamais enfrentou o olhar firme da multidão que exige do candidato a coragem de não fraquejar na hora da onça beber. Não, de maneira alguma!



     O negócio de Mourão não é conviver com os anseios e esperanças das massas. Ele prefere os convescotes de comparsas do tipo "Brazil Conference", serpentuário escopeteiro de estudantes brasileiros riquinhos e famosos por acolher comunalhas como FHC, Ciro Gomes e o subaloprado Mangabeira Unger, o Dr. Strangelove. Esse, uma figura caricata e incompetente desmoralizado por Lula e Dilma Rousseff depois de dois fracassos miseráveis à frente de ministérios que apregoavam uma "saída" para a Amazônia.



     É nesses ambientes de pura conspiração, e em outros convescotes do gênero, que o burlesco Mourão acolhe o aplauso fácil da esquerdalha amiga. Por atacar as redes sociais que elegeram Bolsonaro e também por pregar contra a pauta que defende o direito a vida em face do aborto e propugna pelo legítimo direito ao porte de arma pelo cidadão e a favor da ação enérgica da polícia no combate ao crime organizado (ou não). No desejo insano de se contrapor ao presidente, de quem aspira o cargo, o general admite a ideologia de gênero e adere ao regime de cotas raciais nas universidades públicas o que, bem se sabe, marginaliza o mérito e elege o conflito racial.



     Pior: no plano da política externa, conduzida com empenho, eficiência e brilho pelo chanceler Ernesto Araújo, Mourão, O Pequeno, fecha a matraca quanto ao êxito excepcional da recente viagem internacional empreendida por Bolsonaro aos Estados Unidos, Chile e Israel, países em que recebeu todas as honras - inclusive do próprio Primeiro-ministro reeleito Benjamin Netanyahu.        



     Em suma, ao contrário do que pensa Mourão e a Globo, a confiança da maioria dos brasileiros no Presidente é inabalável. Enfrentando diariamente atos de calculada sabotagem, ele é louvado porque representa a possibilidade da luta sem trégua contra a corrupção e os miasmas da velha política. Tudo pela restauração da democracia no País - o  que significa um bom começo!



PS 1- Li na Veja uma entrevista de Mourão em que ele confessa ser um "Vice na expectativa". E  garante que "A figura do vice existe para assegurar a estabilidade". Mistificação da grossa!



      Abri a Constituição no parágrafo sobre o Poder Executivo e lá, no Artigo 79, reza o seguinte: "Substituirá o Presidente no caso de impedimento e suceder-lhe-á, no de vaga, o vice-presidente". Tão somente. Não há nada na lei maior que confira qualquer atribuição a figura do vice, muito menos a de garantir a "estabilidade".



PS 2 - O leitor Paulo C. Araújo em nota diz que "Mussolini e Ceausescu foram mortos pelo povo a quem impuseram todas as desgraças". Concordo, em parte.



     De fato "Il Duce" morreu metralhado pelo "partigiani" Walter Audisio, membro da Resistência Italiana ("Brigada Garibaldi"), quando fugia num caminhão no rumo da fronteira suíça - tudo sob a coordenação do Serviço Secreto Britânico ("Mussolini", de Brenda Haugen).



     Quanto ao ditador Ceausescu, foi fuzilado ao lado da mulher, Elena, depois de julgamento rápido num quartel nas proximidades de Bucareste e que contou com advogados de defesa, promotores e juízes. Os dois foram fuzilados por três militares e o que deu o tiro de misericórdia chorou depois da execução. 



PS 3 - É possível que Maia (filho) arquive o pedido de impeachment de Mourão, por motivos óbvios. Mas o deputado Marco Feliciano deve insistir, pois não existe dispositivo legal contra tal medida.