VW X - EU TIVE UM SONHO...

 

VW X - EU TIVE UM SONHO...

Jacy de Souza Mendonça


12/03/2019



Em uma comemoração, a matriz destinou aos empregados brasileiros um milhão de marcos. Dividi-lo entre 35.000 trabalhadores resultava em quase nada. Sugeri, com aquele valor, a criação da Fundação VW, destinada exclusivamente a prestar serviços ao pessoal. Aprovada a ideia, o resultado da aplicação dos recursos foi inicialmente utilizado para o pagamento de bolsas de estudos para os filhos de empregados.

A meu ver era pouco. Por outro lado, não me conformava com o custo compulsório da empresa com corretores de seguros, agência de viagens, despachantes de veículos, etc. A Fundação contratou então pessoal especializado e criou pequenas empresas prestadoras desses serviços, recebendo da VW o mesmo que ela estava habituada a pagar a terceiros. Dentro de tal plano, em vários aeroportos havia já uma locadora de veículos VW. Era propósito que o lucro resultante dessas operações fosse destinado diretamente ao pessoal, por exemplo, aos serviços de saúde dos operários e seus familiares. Estive a ponto de comprar até um hospital que se achava à venda na cidade, pretendo ali reunir todo a equipe médica (mais ou menos 1.000 pessoas) e todos os serviços médicos da empresa. O preço desejado era compatível com as disponibilidades. Mas a Diretoria não abraçou a ideia, a partir do princípio segundo o qual sua finalidade era produzir e vender veículos automotores e nada mais.

Na verdade, eu sonhei com o dia em que todos os benefícios ao pessoal estivessem separados da folha de pagamentos da empresa e garantidos contra crises que eram, então, frequentes.

Foi na Fundação que começamos, também, a estruturar o Plano de Previdência Privada VW, mas o governo impediu sua continuação porque, por disposição legal, esse projeto devia ser absolutamente desligado da empresa e não entendiam que a Fundação preenchesse tal requisito.

A formação da Autolatina deu o tiro de misericórdia no sonho que se tornou impossível, como o de Dom Quixote.