MOURÃO, O SISTEMA E O GOLPE

 

Mourão, o sistema e o golpe



Ipojuca Pontes



12/03/2019



Um possível golpe político dos militares que tutelam o governo do Presidente Jair Bolsonaro pode ser desfechado em questão de semanas - ou meses (por enquanto, a batata está assando). No "sistema" dos generais (da reserva) aboletados no Palácio do Planalto, a figura indicada para entrar em ação é a do general Mourão, personagem do teatro burlesco apoiado ferozmente pela mídia esquerdista, em especial os órgãos de comunicação que integram as Organizações Globo (TV Globo, O Globo, Globo News e CBN, emissoras 100% esquerdistas). 



Com efeito, Mourão não brinca em serviço: entrevistado a todo instante pela comunalha é tratado como um iluminado "popstar", sobretudo quando trata de atacar a plataforma de governo de Jair Bolsonaro. Dir-se-ia que a predisposição da trama é tornar o Presidente eleito uma vaca de presépio para destroçar suas convicções políticas e, só depois, em caso de resistência, defenestrá-lo sob qualquer pretexto. O próprio Mourão, aliás, admitiu, em entrevista à Globo News, a possibilidade de um "autogolpe" se a coisa desandasse para a "anarquia". 



Mas quem está por trás de Mourão? Quem procura detonar as propostas do governo - propostas de mudanças pelas quais Bolsonaro foi eleito com quase 60 milhões de votos? O exército brasileiro? Os milhares de militares, graduados ou não, que votaram no então Deputado Federal (mais votado do Brasil) e ajudaram a elegê-lo? Não, de maneira alguma. Quem está por trás de Mourão é um ínfimo grupo de generais (da reserva), entre eles, em destaque, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Eduardo Villas Boas (tido como estrategista do "sistema", vítima de degenerescente esclerose lateral amiotrófica, que o mantém em cadeiras de rodas e atado a um respirador), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Floriano Peixoto Neto, substituto do indecifrável (por enquanto) Gustavo Bebianno na Secretaria Geral da Presidência. Em comum, prevalece o fato de terem sido chefes das forças militares em missão da ONU no Haiti vitimado por terremoto.    



(Abro aqui espaço e peço vênia ao leitor para explicitar duas entradas do "Aurélio" sobre a abrangência da palavra "sistema", no sentido aqui exposto. Diz o dicionário: "Sistema - Reunião de elementos da mesma espécie que constituem um conjunto intimamente relacionado". E ainda: "Conjunto de meios ordenados tendente a um resultado, plano, método").



De minha parte, acredito piamente que uma possível ascensão do general Mourão à Presidência da República poderá levar o País a transtorno sem precedente. Por um motivo elementar: as teses expostas e defendidas por ele, por vezes ambiguamente, projeta um receituário que associa a heresia do "politicamente correto" (bolado nos obscuros corredores da ONU vermelha e terceiromundista) até a mais inaceitável autoritarismo. Ou totalitarismo, se assim preferem. Por exemplo: o general, como já repetiu inúmeras vezes, propugna pela convocação de uma Constituição escrita não por pessoas eleitas democraticamente, mas por uma "comissão de notáveis" - na qual, quem sabe, ele mesmo (ou seus pares), sempre a ditar regras, seja um desses "comissários".



De resto, Mourão, enquanto presidente interino enviou ao Congresso decreto assinado por ele que permite a ocupantes de cargos comissionados, alguns sem vínculos permanentes em cargos públicos, passarem a classificar dados do governo como secretos e ultrassecretos - o que poderia ser traduzido, ao gosto do freguês, como mais burocracia, sigilo ou caixa preta a esconder os atos do governo.



Recentemente, o general ganhou manchetes explosivas nos jornais amestrados por criticar a anulação do ato de nomeação indevida da "cientista política" Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O fato é que Ilona, para além de pinimbar pelo desarmamento da população - que, por sinal, votou num referendo em favor da manutenção e do uso de armas - é uma velha aliada de George Soros, megaespeculador do capitalismo selvagem e financiador da subversão comunista internacional, recentemente banido da Hungria por "ingerência indevida" - coisa que o general omite ou desconhece.



     Por sua vez, Mourão, que já se manifestou partidário da intervenção militar, considera o 13º Salário uma "jabuticaba brasileira", para horror e protestos dos trabalhadores, sempre mal pagos. E, a julgar pelo que diz, é favorável à liberação ao aborto, considerado crime pela nossa legislação. Ademais, o general - que é maçom, pouco fala em Deus e foi adido militar na Venezuela do ditador Hugo Chávez - está a anunciar uma viagem à China, país comunista que está comprando o Brasil a preço de banana (vide Delfim Neto). A China, comandada pelo ditador Xi Jinping (reabilitador do genocida Mao Tse Tung, o "Timoneiro da Revolução Cultural"), vem sendo acusada por alguns países africanos de impor na área uma espécie de neo-colonialismo, violento, usurpador e implacável.



Por fim, nas páginas de O Globo, jornal que a cada dia perde mais assinantes, a engajada articulista Miriam Leitão pergunta: "Será bom ou ruim para as Forças Amadas emprestarem seu prestígio e terem tamanha simbiose com o governo?"



Aqui, é preciso acentuar que os generais da reserva que compõem parte do governo Bolsonaro não representam obrigatoriamente o conjunto das Forças Armadas.  Depois, ao diminuto grupo de oficiais sempre haverá o recurso de não mais "emprestar o seu prestígio" ao governo eleito de Jair Bolsonaro. De minha parte, creio que ao lado da população que o elegeu levada por suas ideias, caráter, valores e compromissos assumidos, Bolsonaro  sempre encontrará o apoio necessário para fazer as mudanças que o País aspira e quer - muito longe da agenda enxundiosa de O Globo e periféricos.



PS - Recebo de leitor ampla reportagem do jornal espanhol El País (de 07/08/2018, assinada por Marina Rossi e Felipe Betin) em que o coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior acusa o general Mourão de favorecer empresa em contrato do Exército. A matéria trata de suspeitas de irregularidades em contratos que envolvem militares, uma empresa da Espanha e um lobista. A investigação da denúncia envolve um dossiê de 1.300 páginas, ao qual El País teve acesso através da BrasilLeaks, uma plataforma on-line de denúncias anônimas ao estilo da WikiLeaks.    



      Contestando com veemência a denúncia de corrupção feita pelo coronel Pierrotti sobre a concorrência e desenvolvimento de um Simulador de Apoio ao Fogo (ocorridas entre 2012 e 2016), o general Mourão disse que iria processá-lo por difamação, ao tempo em que o considerou um "psicopata" e "ressentido".