É A GUERRA, ESTÚPIDO!
 

 

É A GUERRA, ESTÚPIDO!



General Marco Antonio Felicio da Silva





Os jornais noticiaram que o Presidente Temer, apoiado por marqueteiros, considerou a &ldquointervenção&rdquo das Forças Armadas (FFAA), na Segurança Pública do Rio de Janeiro, uma &ldquoJogada de Mestre&rdquo, visando aumentar a sua popularidade, tendo em vista as próximas eleições e sua possível candidatura´que já a considera, para escapar das garras da Justiça.



Ao mesmo tempo em que anunciava, à Nação, a necessidade premente de neutralizar o crime organizado, ardilosamente, limitou as ações das FFAA, deixando-as como receptoras de todas as prováveis ácidas críticas que certamente virão. Não as apoiou com legislação adequada, incluso com o Poder de Polícia. Determinou, ainda, que se mantivessem intocados os direitos individuais e, logo após, que se criasse uma comissão para acompanhar e fiscalizar a atuação dos militares, além das várias outras, afrontosas, que já estão em andamento.



Tentativas de fragilização dos comandantes e subordinados como se as FFAA pudessem atuar de forma irresponsável e criminosa.



Esqueceu-se Temer de que os valores e o patriotismo dos chefes militares não são os mesmos da grande parcela de corruptos que governam o País. Em nome de pseudo Estado Democrático de Direito, pois pleno de centenas de áreas controladas pelo narco-tráfico e por milícias, são esses os mesmos chefes militares que asseguram a permanência, no Poder, de denunciados por crimes diversos.



Decretando uma intervenção que já se fazia tardia, embora de acordo com os seus interesses, e não como seria de esperar pela Nação, aproveitou-se Temer da revolta e da insegurança da população. Manipulou politicamente as FFAA, sabedor de que as mergulharia num atoleiro de areias movediças. Não forneceu a Elas, as condições jurídicas, administrativas e financeiras para combater um inimigo usando armas de Guerra, em terreno difícil e habitado por parcela de população hostil, controlada pelas facções do crime organizado. Em realidade, buscando o sucesso, deverá combater, para neutralizar tais facções, em cenário similar ao de Guerra.



Assim, em face da atuação de uma Imprensa venal, da pressão exercida por ONGs e outras organizações defensoras dos DH, dos movimentos sociais de esquerda, da irresponsável OAB, dos partidos marxistas e demagógicos, da falta de conscientização da grave situação por parte do Judiciário, Ministério Público e Legislativo, as FFAA correm o risco de ter a legitimidade e a imagem respectivas atingidas, caso não atinjam os objetivos que a população deseja e espera. E caso as neutralizem com sucesso, usando o seu real poder de combate, certamente teremos mortes de civis inocentes, de militares e de criminosos. E isso, também, será negativamente explorado pelos mesmos acima citados.



Por outro lado, não se lembrou o Presidente que tal &ldquointervenção&rdquo é algo pontual em relação ao que ocorre em todo o Brasil de forma crescente. Na dependência da reação das diversas facções espalhadas pelo País, o que é pontual poderá se tornar de caráter nacional.



Neste caso, o Mestre, que pensou na sua salvação política e pessoal, sem o saber, possivelmente, tenha selado a sua sentença de morte, abrindo as portas para uma verdadeira intervenção militar constitucional.



É a Guerra, estúpido!!!!





 


 

 

Marco Antonio Felício da Silva – General de Brigada, Cientista Político, ex-Oficial de Ligação ao Comando e Armas Combinadas do Exército Norte Americano, ex-Redator Chefe da Military Review em Português, ex-Assessor do Gabinete do Ministro do Exército, Analista de Inteligência.