O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO, MAS.....
 

 

O RIO QUE SE LIXE !

Jacy de Souza Mendonça


Graças à obra divina, mais do que à humana, o Rio de Janeiro é a cidade mais linda do mundo. Se me acusarem de suspeição ao afirmá-lo, o mínimo que posso aceitar é que o Rio é uma das mais belas cidades deste mundo (e eu não sou carioca). O mar, com suas ondas e praias, as montanhas com seus invejáveis perfis, o céu de anil que justifica sua referência no hino nacional, o sol que ilumina, aquece e enfeita os corpos das cariocas, tudo isso forma um complexo e fascinante presente de Deus à nossa gente. Os homens contribuíram também com sua arquitetura, embora tenham perturbado com obras viárias sobre areia movediça. Mas este é o inigualável Rio de Janeiro que Tom, Vinicius e Toquinho tão bem cantaram.

Nesta tela encantadora foi impressa pelos políticos brasileiros (infelizmente, sempre eles) outra lamentável obra humana: permitiram que ali se enquistasse um grupo de sicários, bem no meio do casario dos menos aquinhoados permitiram que esses assassinos tomassem conta do reduto e de seus moradores, que se impusessem pela força e dali comandassem violento movimento de criminalidade. Formaram assim uma célula social cancerosa, que se multiplica com a mesma virulência do câncer, que se alimenta do tráfico da droga e das armas, que cresce graças ao crime e à prostituição e vai assim destruindo a paz da comunidade que finge compensar os infortúnios que gera, oferecendo em troca Escolas de Samba, times de futebol, cobertura financeira de campanhas eleitorais e pagamento de propinas aos poderosos.

Esse mal deveria ter sido combatido há muitos anos, mas teve a habilidade de proteger-se distribuindo exatamente os prazeres do vício, do carnaval, das conquistas políticas e da compra dos poderosos. Cresceu livre, amancebado com as autoridades públicas e os policiais que deveriam combatê-lo. Hoje é um monstro poderosíssimo, perigosíssimo, que mata inocentes com armamento bélico, que ocupa logradouros públicos e domina os pobres favelados que precisam  viver em suas proximidades.

Finalmente, tenta-se agora acabar com esse inferno, mas os policiais que deveriam fazê-lo estão afastados (prestando serviço burocrático) ou são dizimados pelo moderno e eficiente armamento de guerra de que os criminosos dispõem, contrabandeados a alto custo com dinheiro facilmente arrecadado pela exitosa criminalidade não contida.

Como não há mais policiais regulares em condições de purgar esse mal, como ele atingiu proporções que comprometem as autoridades e toda a sociedade brasileira, como ele impede até que a beleza carioca seja exposta aos estrangeiros, são agora chamadas as forças armadas do País, que, em princípio, deveriam responsabilizar-se apenas pelos inimigos externos que felizmente não temos. Nesse momento, o satanismo da criminalidade chega a seu apogeu, pelas mãos de políticos, suportados por grande parte da imprensa: os soldados devem vir para o combate, mas não podem usar suas armas... que venham heroicamente para morrer sob as balas dos fuzis dos bandidos! É incrível!

E muitos brasileiros aplaudem essa guerra suicida, essa rendição aos criminosos! Muitos têm a ousadia de levantar suas vozes como proteção dos pobres delinquentes! Quantos fingem ignorar a quantidade de policiais que têm perdido a vida pelo simples fato de quererem nos proteger! Quantos invocam os direitos humanos dos criminosos e fingem ignorar os mesmíssimos direitos humanos dos soldados! Quantos desprezam o mal que tem sido causado à bela cidade maravilhosa, que um dia foi cheia de encantos mil e hoje é coberta pelo sangue dos inocentes. Uma tétrica música é agora entoada: o Rio, que se lixe, o Brasil que se dane!

Meu Deus, meu Deus, o que fizeram com nosso povo? O que pretendem fazer do Brasil?