A CONSPIRAÇÃO CONTRA NETANYAHU
 

 

Para um melhor entendimento sobre o caso Benjamin Netanyahu


Iosef Neira

Toda sociedade deveria exigir, no mínimo, duas qualidades à sua classe política e em especial a quem conduza os destinos da nação: Capacidade e Probidade.

Benjamin Netanyahu é um líder que tem orgulhado os israelenses pela maneira como defendeu seu país, tanto na ONU quanto no próprio Congresso dos Estados Unidos. A economia israelense, onde Netanyahu demonstrou um domínio único, fortaleceu-se, e a segurança do país alcançou níveis que não se viam desde muito tempo.

Demonstrou sobejamente possuir, melhor que ninguém, a capacidade de equilibrar as necessidades diplomáticas de Israel com o resto do mundo, com a dinâmica e complexa política interna. Isto fez com que lidere permanentemente as pesquisas, como o único capacitado ou pelo menos o melhor, para liderar os destinos de Israel. Muito lhe seguem a saga, Yair Lapid ou Avi Gabbay. A conclusão é que Netanyahu tem demonstrado fartamente suas capacidades para dirigir Israel e foi eleito Primeiro-Ministro em quatro oportunidades, as últimas três de forma consecutiva.

Quais são as acusações contra Netanyahu?

Caso 1.000: Suspeita-se que Netanyahu recebeu presentes (charutos e garrafas de champanhe, entre outros) do magnata de Hollywood nascido em Israel Arnon Milchan e do multi-milionário australiano James Pecker, por um valor aproximadamente de um milhão de shekels. Netanyahu e sua esposa argumentam que os presentes eram mostras de amizade e não em troca de favores políticos, ou para promover os interesses comerciais de ambos os magnatas. Segundo o informe da polícia, Netanyahu impulsionou a chamada Lei Milchan para diminuir impostos a israelenses que voltaram a Israel depois de um tempo no estrangeiro, o que teria beneficiado Milchan em mais de um milhão de shekels, segundo o testemunho de Yair Lapid, que foi ministro de Finanças de Netanyahu em seu governo anterior. É saudável lembrar que tal lei foi aprovada quando Netanyahu não estava em seu cargo. O Primeiro-Ministro havia ajudado Milchan a obter um novo visto norte-americano de 10 anos. Também é acusado de haver organizado uma reunião de Milchan com o diretor geral do Ministério das Comunicações para promover os interesses do produtor na televisão israelense. Netanyahu também teria intervindo para evitar o colapso do Canal 10, não com a idéia de salvar o canal de televisão, mas para ajudar Milchan no qual ele era acionista minoritário.

Caso 2.000: Netanyahu é suspeito de tentar conseguir um acordo ilícito com o proprietário do jornal Yediot Ahronot, para que o medio de comunicação diminuísse seus ataques contra o Primeiro-Ministro, em troca de limitar a circulação de seu principal competidor, o diário Israel Hayom, impulsionando Yediot.

Estas são as acusações que a polícia teria entregado ao Ministério Público para que este determine se contam com a evidência suficiente para provar um delito, bem como se essas ações se qualificariam ou não como tais. Lembremos que, segundo a lei israelense, Netanyahu não é obrigado a renunciar, embora seja incriminado.

Por sua parte, Netanyahu denuncia que é vítima de uma caça às bruxas e acusou seus inimigos políticos e os meios de comunicação de tentar derrocá-lo mediante o sistema legal, porque são incapazes de fazê-lo nas urnas.

A capacidade de Netanyahu está fora de qualquer dúvida e por isso a maioria dos israelenses o querem no comando do avião, que voa a grande altura e velocidade em céus perigosos, e à falta de um piloto mais experiente e hábil muitos esperam que depois de 22 anos de investigações contra ele, a justiça declare fora de todas dúvida a probidade de nosso Primeiro-Ministro frente a estas duas novas acusações.

A polícia recomenda julgar, porém, há provas sustentáveis? Nenhuma das acusações são razões de peso. O Promotor do Estado está estudando as “provas”.

Diz Jonathan Tobin:

“Não há indícios de que nenhum de seus benfeitores obtivesse nada em troca. Se o suborno não foi parte de um quid pro quo, então não é um suborno.

O Caso 2.000 é ainda mais complicado. Trata-se de conversações gravadas entre Netanyahu e o editor do jornal Yediot Aharonot, Arnon Mozes. Netanyahu pediu que Mozes reduzisse as críticas em seu periódico, e em troca disse que faria algo para reduzir a circulação do jornal Israel Hayom, o diário gratuito que havia superado Yediot como o mais lido do país. Embora Israel Hayom fosse propriedade do aliado de Netanyahu (e doador de JNS) Sheldon Adelson, considerando que Netanyahu não tinha a capacidade de cumprir essa promessa, essa conversação foi ridícula. Tampouco é razoável afirmar que foi ilegal.

Chegará o dia em que as pessoas de Israel teriam tido o suficiente dele, porém a suposição de que este dia está perto pode ser um erro”.

Tradução: Graça Salgueiro