O ATAQUE FINAL À CRIAÇÃO: FIM DA DUALIDADE HOMEM/MULHER
 

 

NOTA DO EDITOR: este é o texto do Cardeal Caffara que usei no programa O OUTRO LADO DA NOTÍCIA de 22/09/2017, gentilmente traduzido por Ageu Marinho

A “última barreira” que impede Satã de destruir a humanidade é a dualidade masculino/feminino, diz cardeal autor de dubia à Amoris laetitia

Claire Chretien

 Claire Chretien

LifeSiteNews 

18 de setembro de 2017

Uma ideologia global alimentada por uma liberdade “insana” e “literalmente louca” agora está tentando destruir a “última barreira” que preserva a humanidade de perder o significado de ser “humano”, a saber, a “natureza sexual da pessoa humana na sua dualidade de homem e mulher”, escreveu o Cardeal Carlo Caffarra, um cardeal “dubia” recentemente falecido, em um manuscrito publicado pela primeira vez no LifeSiteNews. [“Dubia cardinals” é como são designados os cardeais signatários das dúvidas levantadas ao Papa Francisco por ocasião da publicação de Amoris laetitia].

Caffarra escreveu o manuscrito como um prefácio ao livro da socióloga Gabriele Kuby intitulado A Revolução Sexual Global: A Destruição da Liberdade em nome da Liberdade [no original: The Global Sexual Revolution: Destruction of Freedom in the Name of Freedom]. Porém o livro seguiu para impressão antes que as palavras do Cardeal fossem recebidas. O manuscrito foi obtido pelo LifeSiteNews.

O Cardeal Caffarra foi um dos quatro Cardeais que remeteu ao Papa Francisco as dubia solicitando claridade na Exortação Papal de 2016 Amoris laetitia. Ele morreu em 6 de setembro aos 79 anos.

O Cardeal esboçou no prefácio como “o enganador”, através de uma estratégia global, está controlando o homem para “formar uma aliança com um de seus instintos básicos”, qual seja, seu apetite por prazer sexual desenfreado e sujeito a nenhuma regra.

“Qual é essa estratégia? É aquela d’O Grande Inquisidor, de Dostoevsky, que diz a Cristo: ‘Você dá a eles liberdade eu dou-lhes pão. Eles me seguirão.’ A estratégia é clara: dominar o homem formando um pacto com um de seus instintos básicos. O novo Grande Inquisidor não mudou a estratégia. Ele diz a Cristo: ‘Você promete regozijo no prudente, íntegro e casto exercício da sexualidade eu prometo o gozo desregrado. Você verá que eles me seguirão.’ O novo Inquisidor escraviza através da ilusão do prazer sexual completamente livre de regras”, ele escreveu.

Caffarra disse que essa estratégia é abastecida pela “justificativa insana” de “destruir a sexualidade natural humana para assim também destruir o casamento e a família”.

“A última barreira que essa liberdade insana precisa demolir é a natureza sexual da pessoa humana na sua dualidade de homem e mulher e na sua instituição racional estabilizada pelo casamento monogâmico e pela família”, escreveu.

Ele advertiu que a “extrema liberdade” promovida pelos hedonistas “conduzirá à mais grave e feroz tirania.”

O Cardeal qualificou o livro de Kuby como “um clamor de trombeta para despertar-nos do torpor da razão que nos está arrastando para a perda de liberdade consequentemente de nós mesmos.”

“E Jesus já nos advertira que isso, a perda de nós mesmos, seria a mais trágica perda de todas, ainda que ganhássemos todo o mundo”, ele escreveu.
Caffarra disse que “os jovens” serão as “primeiras vítimas” da “liberdade insana”.
Ele observou que “não é incomum” que os clérigos se “contentem em ser facilitadores desta eutanásia da [real] liberdade” pela qual Cristo morreu, para nos tornar verdadeiramente livres.

Caffarra também se reportou a Dostoyevsky durante sua palestra no  2017 Rome Life Forum. Satã quer construir uma “anti-criação”, disse, a qual Satã venderá às pessoas como sendo melhor que a criação de Deus.
Ele declarou:

“Esta é a terrível estratégia da mentira, construída ao redor de um profundo desprezo pelo homem. O homem não é capaz de elevar-se ao esplendor da Verdade. Ele não é capaz de viver dentro do paradoxo de um anseio infinito pela felicidade. Ele não consegue encontrar-se no sincero dom de si mesmo. E dessa maneira – continua o discurso Satânico – nós contamos a ele banalidades sobre o homem. Nós o convencemos de que a Verdade não existe e que sua busca é portanto uma paixão triste e fútil. Nós o persuadimos a encurtar a capacidade do seu desejo para que se proporcione ao momento efêmero. Nós colocamos em seu coração a suspeita de que o amor é meramente uma máscara de prazer.”

A resposta a essa profunda mentira, afirmou Caffarra, deve ser um testemunho da verdade e beleza dos ensinamentos de Jesus Cristo e a refutação da falsidade.
“Seria como um terrível médico que adotou uma atitude irônica para com a doença”, disse Caffarra. “Agostinho escreveu: ‘Ame o pecador, mas persiga o pecado.’ Note bem isto. A palavra latina per-sequor é um verbo intensivo intensificador (1). O sentido é, portanto: ‘Caçar o pecado e o abater. Rastreá-lo até os lugares encobertos de suas mentiras, e condená-lo, trazendo luz à sua insubstancialidade.’”

A Irmã Lúcia, vidente de Fátima, escreveu para Caffarra no início dos anos 80 que “a batalha final entre o Senhor e o reino de Satã será sobre casamento e família”.

“O que a Irmã Lúcia falou naqueles dias está se cumprindo nestes nossos dias”, ele disse no 2017 Rome Life Forum.

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Texto completo do prefácio não publicado do Cardeal Caffarra para o livro de Gabriele Kuby “A Revolução Sexual Global – A Destruição da Liberdade em Nome da Liberdade”. Traduzido para o inglês por Diane Montagna.

O estudo de Gabriele Kuby sobre o panorama cultural no presente livro é um clamor de trombeta para despertar-nos do torpor da razão que nos está arrastando para a perda de liberdade consequentemente de nós mesmos. E Jesus já nos advertira que isso, a perda de nós mesmos, seria a mais trágica perda de todas, ainda que ganhássemos todo o mundo.

A cada página que lia, ouvia dentro de mim mesmo as palavras do enganador do mundo todo: “Você será como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5).

A pessoa humana elevou-se a si mesmo a uma posição de autoridade moral soberana na qual “Eu” sozinho determino o que é bom e o que é mal. Esta é uma liberdade que é literalmente louca: é uma liberdade sem logos (isto é, razão ou princípio ordenador).

Mas se esse é o contexto teórico (se posso colocar desta forma) do livro inteiro, a obra examina especificamente a destruição da última realidade que permanece de pé no seu caminho. Como irei explicar, o livro também aponta como a liberdade que enlouquece gradualmente engendra as mais devastadoras tiranias.
David Hume escreveu que fatos são coisas teimosas: eles teimosamente desafiam qualquer ideologia. O autor demonstra, e eu considero que acertadamente, que a última barreira a qual esta liberdade insana deve demolir é a natureza sexual da pessoa humana na sua dualidade de homem e mulher, e na sua instituição racional estabilizada pelo casamento monogâmico e pela família. Atualmente esta causa insana está destruindo a sexualidade natural humana e por conseguinte também o casamento e a família. Estas páginas, dedicadas a examinar essa destruição, contêm uma rara profundidade de percepção.

Mas há um outro tema que corre através das páginas deste livro: a obra dessa insana liberdade tem uma estratégia precisa, pois está sendo dirigida, guiada e governada em nível global. Qual é essa estratégia? É aquela d’O Grande Inquisidor, de Dostoevsky, que diz a Cristo: “Você dá a eles liberdade eu dou-lhes pão. Eles me seguirão.” A estratégia é clara: dominar o homem formando um pacto com um de seus instintos básicos. O novo Grande Inquisidor não mudou a estratégia. Ele diz a Cristo: “Você promete regozijo no prudente, íntegro e casto exercício da sexualidade eu prometo o gozo desregrado. Você verá que eles me seguirão.” O novo Inquisidor escraviza através da ilusão do prazer sexual completamente livre de regras.

Se, como acredito, a análise de Gabriele Kuby é algo que é compartilhado, há apenas uma conclusão. O que Platão previu acontecerá: liberdade extrema conduzirá à mais grave e feroz tirania. Não é coincidência que a autora fez dessa reflexão platônica a epígrafe do primeiro capítulo: um tipo de chave interpretativa de todo o livro.

E clérigos? Não é incomum que ele se contente em ser facilitadores dessa eutanásia da liberdade. E ainda, como Paulo nos instruiu, Cristo morreu para nos tornar verdadeiramente livres.

Eu espero que este grande livro seja lido por aqueles que têm responsabilidades públicas por aqueles que têm responsabilidades educacionais e pelos jovens, as primeiras vítimas do novo Grande Inquisidor.

Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo Emérito de Bolonha

(1) Em inglês, intensifying verb. Esta expressão foi um problema tanto para o Tradutor como para o Editor. Esta solução é do Editor.