CRÍTICA À APROPRIAÇÃO CULTURAL
 

 

Crítica à apropriação Cultural:  notas sobre os efeitos nocivos da etnicidade e do racialismo na cultura.

Ricardo Gustavo Garcia de Mello

O debate sobre apropriação cultural parte da tese que o patrimônio cultural de um grupo ou “povo” está intrinsecamente ligado à raça, cor, sangue ou etnia. A própria transmissão desse patrimônio cultural racial só é feita pelo sangue e por isto se deve preservar a raça através do fenótipo e da cor, impedindo a mestiçagem e a influência de elementos alienígenas que podem degenerar a raça/cultura.  Julgo que essa forma de conceber a cultura - o reducionismo étnico e racial do humano - é tão medíocre que reduz o patrimônio cultural aos fatores biológicos. Quando observamos um debate sobre a apropriação cultural com base no uso de um enfeite, corte de cabelo ou vestimenta percebemos que tal “cultural” foi reduzida ao exótico. Um “povo” que coloca a sua peculiaridade racial no topo da escala de valores, só pode ser um pavão entre os homens.

A tentativa de fazer dos traços biológicos, os dados mais elementares da cultura é um típico traço do subdesenvolvimento cultural. Só uma cultural desenvolvida é capaz de expressar valores com o potencial de transcender sua circunstância tempo-espaço e decodificar o ser humano. Agora culturas excêntricas ou subdesenvolvidas só podem cumprir o papel de pavão na vitrine da história.
Extrair o sumo de uma cultura em meros traços fenotípicos e raciais acarreta sua própria redução – reduz o dado cultural à animalidade.

A cultura alemã deixou de ser uma grande cultura no momento que deixou de considerar a herança judaico-cristã como parte essencial da sua cultura nacional e passou a adotar o sangue e a raça como categorias centrais de pensamento e ação – o caso do Nazismo. E atualmente tal concepção racialista da cultura está sendo transmitida por uma série de intelectuais e movimentos políticos negros que reduzem o negro ao seu exotismo racial. É comum observar no discurso da apropriação cultural que uma pessoa de cor branca que utiliza determinado corte de cabelo, roupa ou enfeite ser classifica de apropriadora de cultura. E tal lógica também pode ser aplicada à pessoa de cor preta que estuda filosofia, física, Direito e reza para o Deus abraâmico que é classificada de pessoa alienada pelo “fato” de desconhecer sua cultura original – como que se houvesse uma cultura branca originária e uma cultura negra originária.

O conceito etnográfico de cultura é autocentrado e exclusivista pelo fato de resumir uma cultura no conjunto de bens simbólicos e materiais peculiares e intransmissíveis.

Toda grande cultura deriva antes do cultivo da alma do que do cultivo da raça. Uma cultura tem importância civilizatória pela sua capacidade de revelar e cultivar o mundo interior – a alma. A própria concepção de Civilização está apoiada no cultivo da alma – a civilização só pode ser colhida pela cultivo, cuidado e culto da alma humana e não do fenótipo racial, como fazem os animais e certos indivíduos que cultuam sua própria raça.

As grandes culturas não resultaram do amadurecimento de formas culturais autóctones ou tribais, mas do recebimento e aperfeiçoamento dos valores e ideias que foram gestados em Atenas e Jerusalém - a filosofia clássica e a moral judaico-cristã cujos pais-fundadores são: Sócrates, Moisés e Jesus Cristo. Se hoje os valores e ideias da chamada civilização “eurocêntrica” são considerados ideias e valores da humanidade, não se deve pela afirmação excêntrica da superioridade da raça branca como querem vender os supremacistas brancos e negros. Mas pela capacidade de revelar e demonstrar a substância universal do ser humano. Diferente das culturas subdesenvolvidas que se caracterizam por circunscrever suas culturas aos elementos “raciais” ou étnicos.

A originalidade de um povo não está naquilo que ele tem de étnico e exótico, o pavão da vitrine, mas naquilo que ele produz de civilizado e universal. 

A verdadeira morada do homem é a sua alma e não o seu verniz “racial”.

Fontes:

https://www.geledes.org.br/vereador-questiona-atriz-apos-uso-de-dreads-pra-ela-e-so-enfeite-pra-gente-nao/#gs.yQkrbcs

https://www.geledes.org.br/tag/apropriacao-cultural/#gs.82AM8GY

https://www.geledes.org.br/dialogo-brasil-debate-apropriacao-cultural/#gs.CnXfxOc