AS ELITES JÁ TÊM O QUE COMEMORAR
 

 


As elites finalmente têm algo a comemorar, mas é na França

Wesley Pruden

JEWISH WORLD REVIEW

 09/05/2017

A boa notícia para as elites "na terra dos livres e casa dos bravos" [*], levada à loucura pelo sucesso de Donald Trump, é que têm finalmente algo para comemorar. A notícia não tão boa é que a coisa não está aqui, mas na França.

Emmanuel Macron, de 39 anos, ex-ministro da Economia que cresceu na calmaria de Amiens, o equivalente francês do Sul Americano (como as elites vêm), foi eleito com impressionantes 66 por cento dos votos, despachando Marine Le Pen para uma humilhante derrota.

Mas ela não parecia se sentir particularmente humilhada, e saiu para dançar depois de conceder graciosamente a vitória ao Sr. Macron. Quando Hillary Clinton foi derrotada de forma semelhante levou seus manipuladores até o dia seguinte para prepará-la para uma introdução sóbria à realidade. Quem disse que os franceses nunca estão prontos para o horário nobre?

A imprensa francesa chamou-o de rejeição de algo chamado "Le Penism", que soa como algo grosseiro e vulgar, mas com os franceses, nunca se sabe. Parece justo chamá-lo de rejeição ao populismo de Trump, embora tentar explicar a política francesa em termos americanos seja um exercício de futilidade. Madame Le Pen tentou adaptar certas táticas de Trump à sua campanha e claramente não funcionou.

Ela ainda é um fator na França, e sua Frente Nacional pode ainda emergir como o mais forte partido da oposição nas eleições parlamentares do próximo mês, especialmente desde que o Sr. Macron não tem nenhum partido, apenas um movimento, chamado En marche! (Com o ponto de exclamação de repente tão popular em ambos os lados do Atlântico).

Isso torna o Sr. Macron uma anomalia particular na França, que se poderia pensar que tem partidos políticos suficientes para acomodar a todos. Os republicanos e os socialistas, uma vez dominantes, terminaram tão miseravelmente na primeira rodada de votação que seus candidatos perdedores ainda estão vagando pelas ervas daninhas, procurando um rosto, ou pelo menos um bar, amigável.

O Sr. Macron, que se tornará o presidente da França na manhã de domingo, nunca ocupou cargos públicos, mas tem sido um prodígio das elites desde que ele era um estudante. Graduou-se na Escola Nacional de Administração, considerada "o berçário da elite francesa". Começou assim a sua carreira no topo e, com todo o carisma e deslumbramento que se poderia esperar de um banqueiro de investimento, procurou encontrar um lugar adequado à sua reputação. Ele até se casou com uma de suas professoras, 24 anos mais velha, espalhando boatos, que ele negou, de ser gay.

Ele é considerado um europeu consumado, suave e sofisticado, como os europeus medem essas coisas, e abraçou cedo o ressentimento tradicional em relação "os anglo-saxões". Ele está particularmente irritado com os britânicos pela sua saída da União Europeia, que ele exalta acima de tudo. Ele chama o Brexit de "crime" e prometeu fazer a Grã-Bretanha pagar por sua heresia. Quando ele conheceu Theresa May, a primeira-ministra britânica em 10 Downing Street, em fevereiro, ele disse a ela que o Brexit iria jogar a Grã-Bretanha em "servidão".

O Brexit, disse ele, "não pode levar a uma espécie de otimização do relacionamento da Grã-Bretanha com o resto da Europa. Estou muito determinado impedir vantagens indevidas". Isso não funcionou bem na Grã-Bretanha, cujo hino secular "Rule Britannia",  afinal de contas, promete que "os britânicos nunca, nunca serão escravos" e o mostraram muito bem em várias ocasiões, que sua professora-esposa bem poderia recordar para ele .

Desde então, o Sr. Macron tentou tranquilizar os anglo-saxões de que ele realmente não estava falando sério, que era sarcástico quando disse que pretendia "puni-los". (Ninguém pode entender uma piada francesa?)

A equipe de campanha do Sr. Macron passou a maior parte do dia depois da esmagadora campanha do presidente eleito, alertando os britânicos para "esperarem consequências" por dizer adeus à Europa e tudo mais. Iain Duncan Smith, o ex-líder Tory e membro do governo de Theresa May, respondeu que seriam os franceses que sofreriam mais numa guerra comercial entre os dois lados do canal.

"A realidade é", disse ele ao Sr. Macron através de uma entrevista de rádio britânica, "se você quiser deixar os trabalhadores franceses sem trabalho, aqueles que dependem de exportações para o Reino Unido, a coisa mais rápida que você pode fazer é tornar isto um drama. Se quiser, no entanto, fazer o bem - e a França vende muito mais para nós do que para vocês - então você quer chegar a algum tipo de acordo que permita à França acessar nossos mercados. Se você é um agricultor francês que vende grandes quantidades de seus produtos agrícolas, e eles fazem isto, como queijos e tudo mais, o Reino Unido é um mercado enorme."

Mas o ressentimento com os ingleses é de certa forma reconfortante. Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem iguais.

NOTA DO TRADUTOR:

[*] Referência ao último verso do Hino Americano: “And the star-spangled banner in triumph shall wave, Oer the land of the free and the home of the brave!

Tradução: Heitor De Paola