OS JUDEUS E A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
 

 

O EXEMPLO DO POVO HEBREU

Adalberto Salvador Perillo Kühl Júnior

A forma com que um país em dado momento passa a tratar os judeus, é o termômetro do que está a ocorrer politicamente e que afetará não só aos judeus, mas a todos os residentes no país.

Rabino Avraham Chachamovitz.
      

O povo Hebreu, mais conhecido como Judeu em razão da religião que professa, o judaísmo, depois da primeira diáspora que sofreu em 586 a.C. e da segunda sucedida em 70 d.C., teve nessa condição sua tônica de vida por mais de 2.000 anos, vivendo sempre em terras estrangeiras sem possuir um país próprio, tendo essa situação se amenizado com a criação em 1948 do Estado de Israel, com base em uma resolução da ONU.
  

Até a criação do atual Estado de Israel, se viu o povo Hebreu privado, por mais de dois milénios, da identidade universal de um povo consistente em pertencer a uma nacionalidade alicerçada em um território, onde todos os nascidos dentro de suas fronteiras passam a ser nacional e internacionalmente denominados e reconhecidos, tendo adquirido a nacionalidade dos países nos quais passaram a habitar.
  

Não obstante essa falta de pátria, os hebreus das mais diferentes nacionalidades se mantiveram unidos pela religião por eles professada, “praticando-a em privado” em suas Sinagogas e lares nas comunidades que formaram nos mais diferentes países dos cinco continentes, externando em público sua individualidade através de suas vestes características e no mais, se adequando ao idioma, leis, usos e costumes e cultura do país que os acolheu, sem, no entanto, perder sua identidade.
  

Essa condição de não ter um país para onde voltar, fez com que o povo hebreu desenvolvesse uma versatilidade e capacidade de adaptação ímpares, de vez que, como habitantes dos mais diferentes países, viveram e vivem sob os mais diversos sistemas de governo e ideologias, leis, usos e costumes, raças e etnias com suas respectivas culturas e religiões, não obstante essa diversidade humana em todos os sentidos, conseguiram se adequar e amoldar seu comportamento no convívio civil com todas onde se instalaram,  adaptando-se inclusive culinariamente segundo os alimentos postos a disposição nas mais diferentes regiões da terra, que segundo a dieta judaica (kashrut) devem ser kasher, significando correto segundo a Torá.
  

Dentro dessa versatilidade, o povo hebreu desenvolveu uma característica pouco comentada e muito menos difundida, consistente em que, estando a habitar os mais diferentes países e estando entre os mais diferentes povos, nunca deixou de ser judeu e nem deixou de ser nacional do país em que se fixou.
  

Denota-se que essa simbiose se deu não só em razão da necessidade de convivência com o diferente, devido a sua condição forçada de nômade, mas também pelos valores cultuados do judaísmo, os quais foram transmutados, guardando os hebreus seu sentido religioso para sua esfera privada de culto e externando esses valores de uma forma pasteurizada e separada dessa essência no seu dia a dia como cidadão comum do país onde se instalou e passou a viver, valores esses que ajudaram a formar o que chamamos de mundo ocidental.

Essa separação de essências de preceitos sagrados deixando remanescer um sentido profano de conduta escorreita no âmbito civil, que levou a um modo de ser, de agir e de viver diferenciados, não afastou os hebreus do estudo da sua Torá e dos demais livros judaicos que lhes são peculiares como, por exemplo, o Talmude e o Pirkê Avot e nem da busca do cumprimento das 613 mitsvot da Torá (preceitos e obrigações) no decorrer de suas vidas, pelo contrário, continuaram fiéis ao fator que lhes conferia uma identidade e unidade e que lhes supria a falta de um território nacional e que, além disso, transmudados por seus Rabinos, possibilitaram sua convivência, integração e interação com os mais diversos povos e culturas.
  

Separando o ser judeu, do ser cidadão do país que passou a habitar, teve na convivência com o outro não só o suprimento da necessidade de um território para se assentar, mas também uma pessoa a qual lhe garantiria o suprimento de suas outras necessidades de sobrevivência em sociedade e vice-versa, ponto em que, onde se instalaram, a busca do povo hebreu por uma “vida melhor” através do trabalho, era o mesmo desejo dos nacionais do país onde se assentaram, sendo por esse fator, seus esforços no âmbito civil coincidentes com os de qualquer cidadão, resultando da soma desses esforços mútuos o crescimento da interação, da qualidade de vida e da economia local que se reflete na economia da nação.
  

Nesse caminhar, os hebreus ao não atritar com o povo do país em que adentravam com ânimo de se estabelecer, escolheram a via do diálogo e da composição com seu oposto, da adaptação e da convivência pacífica, do não representar a religião e cultura do país acolhedor empecilho para desenvolver sua comunidade e através do conhecimento e habilidades de seus membros passarem a ganhar a vida conjuntamente com os nacionais daquele país, ao agir como um cidadão como outro qualquer no país de residência, passaram a integrar a economia da sociedade onde se instalaram, participando de todas as suas vicissitudes, respeitando suas leis, usos e costumes e quando de alguma forma lesados, buscaram e buscam os hebreus em seu auxílio as leis dos países em que estão como um cidadão qualquer, levando para onde se instalaram civilidade, cooperação e respeito à ordem estabelecida.
  

Dentro do convívio com os mais diferentes povos e países que os receberam, os hebreus externaram e externam outra grandiosa atitude que é a prática da caridade e filantropia em face da sociedade onde se encontram na medida de suas possibilidades, sem alardes, muitas vezes sequer se identificando ao recebedor, podendo-se dizer que quando a comunidade judaica instalada em determinado país chega nesse ponto, tal é o ápice da superação da sua condição de desigualdade de não possuir um território que pudesse chamar de seu país, deixando mais um exemplo que até a maior das dificuldades pode ser superada e que para que isso ocorra a busca de soluções deve se dar através do constante reinventar-se, bem como que essa sociedade encontra-se “sadia” politicamente.
  

Com esse modo de vida desenvolvido por dois milénios, não há como não se dizer que as nações que acolheram os hebreus se viram enriquecidas em todos os sentidos ante a sua integração em todos os setores daquelas sociedades, resguardando os hebreus sua religião em privado.
  

Ponto que deve ser ressaltado é que esse povo conseguiu a aceitação de que goza nos países que os receberam muito antes de existirem os direitos que temos hoje e que mesmo após o Holocausto ocorrido na segunda guerra mundial, volta e meia tornam os hebreus a sofrerem perseguições dos mais variados tipos nos países onde habitam, perseguições essas que são insufladas pelos grupos que buscam o poder no mundo e o controle de todos segundo seus mesquinhos interesses.
  

Hoje em dia é preocupante o ressurgimento do antissemitismo na Europa, em muito insuflado pelos imigrantes muçulmanos que sob essa condição e aproveitando-se das leis dos países europeus que os tutelam, leis essas cujo teor e sentido não possuem em seus próprios países de origem, praticam todo tipo de violência, almejando aos nacionais se sobreporem e com atos terroristas que matam covardemente dezenas de pessoas de uma só vez e ferem tantas outras, além de toda uma gama de outros crimes praticados individualmente por seus membros sob o “grito” de Allahu Akhbar e ante a adrede conduta desses “imigrantes” de não se integrar na comunidade dos países que os receberam, deixam revelar seu verdadeiro intento que é o de subjugar para conquistar, sob o comando do Califado Universal, utilizando-se de táticas que vão do terror à exibição pública do culto Islâmico como a que ocorreu ao lado do Coliseu em Roma recentemente.
  

Na disseminação do antissemitismo, juntam-se ao Califado Universal, na própria Europa, os países governados pelos socialistas, ramo do comunismo e a Nova Ordem Mundial, albergada na ONU, que no passado teve papel decisivo na criação do atual Estado de Israel, mas que hoje, ante a formação de seus quadros, traça políticas contra Israel.
  

Esses três grupos: Califado Universal, Movimento Comunista (Eurasiano) e Nova Ordem Mundial, são as três forças que disputam o poder no mundo atualmente e que no que se refere a destruir a Europa e com ela o Ocidente, estão de pleno acordo, ressaltando que o antissemitismo é ponto comum entre essas três forças, que juntas buscam acabar com tudo o que identifica e dá unidade ao Ocidente, cujo modo de agir já fora citado em artigo publicado nesse site.
  

O Brasil não está imune à ação dessas três forças, que só não se tornam conhecidas da população ante o cumplice e criminoso ocultamento pela mídia subserviente aos comunistas e seus coligados que tomaram o poder no país, servindo esse adrede acobertamento somente para agirem livremente e com isso fincarem a raiz de seus funestos objetivos sendo muito preocupante o episódio antissemita ocorrido na Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul no ano de 2015. Na Cidade de São Paulo, em uma das Ruas onde os frequentadores se gabam de serem os mais tolerantes, a Rua Augusta, houve em 2016, episódio antissemita praticado por neonazistas conhecidos por skinheads, os quais colaram cartazes em postes dessa rua com mensagens de ódio aos Judeus.
  

Ainda na Cidade de São Paulo, fato estranho e pouco notado foi o consistente na retirada do final da Avenida Paulista, da Menorah (candelabro de sete pontas), que era sempre aceso por ocasião da Festa das Luzes (Chanucá), quando o governo municipal era exercido por representante do Partido dos Trabalhadores – PT, partido marxista/leninista.
  

No presente ano, os EUA se viram recentemente assolados por uma onda antissemita, com profanação de cemitérios, ameaças de bombas a centros comunitários e colégios judaicos, fato que tem causado enormes discussões a respeito do crescimento do antissemitismo nos EUA e a colaboração dos discursos e ações dessas três forças no encorajamento à ação dos grupos antissemitas tradicionais.
  

Na Alemanha Nazista (os nazistas eram socialistas), o antissemitismo e o ódio insuflado nesse sentido começaram com agressões superficiais aos judeus e muitas vezes consideradas até sem sentido ou encaradas como atos de mero vandalismo ou desatino de jovens desinformados, tendo culminado com os hebreus no altar do Holocausto dos campos de concentração nazistas, campos esses basicamente copiados dos campos de Stalin na então URSS, tendo sofrido no esteio do sofrimento dos judeus, toda a nação alemã e demais nações onde o antissemitismo através dos nazistas tomou conta.
  

A frase do Rabino Avraham Chachamovitz posta logo abaixo do título do presente artigo serve de alerta e ao mesmo tempo de forma de identificação de quando a situação política de um país está a se deteriorar ante a influência daquelas três forças, consistindo também em um chamado a que tomemos cada um a atitude que puder para retirar a força de penetração nas mentes das pessoas do discurso de ódio daqueles três grupos, que tem no antissemitismo uma de suas ferramentas para a todos afetar, tomando cada um as providências que estiverem ao seu alcance para fazer frente a um nascente estado de coisas que também os afetará e o único meio é o discernimento e compreensão, a busca de informações fidedignas sobre essas três forças e seus intuitos, principalmente os comuns e disseminá-los tal qual sorrateiramente disseminam o antissemitismo, de vez que os três contam com a apatia daqueles que no momento não estão sendo diretamente afetados e só o entendimento do que realmente se passa tornará as mentes e o imaginário das pessoas impermeáveis e imunes a esses discursos de ódio.
  

O shofar é um instrumento de sopro feito de chifre de carneiro segundo a Torá, sendo tocado nas Sinagogas nos dez dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, nos quais os judeus praticam a reflexão, o arrependimento e o retorno às raízes, ao seu mais íntimo ser.
  

Na segunda guerra mundial, na Alemanha Nazista e em outras Nações, o shofar deixou de ser tocado e nesse período houve a pior treva até hoje conhecida perpetrada pelas forças que buscam incessantemente o poder e o domínio do mundo e via de consequência de “todas” as pessoas, onde o ódio que acompanha a busca pelo poder sempre necessita de um bode expiatório ou uma vítima sacrificial sobre a qual repousará e se expandirá a todos aqueles que se encontrem em seu caminho.
  

Que o shofar continue a ser tocado em todas as Sinagogas, pois enquanto esse toque estiver sendo permitido, transmitido está o sinal de que o ódio ou está ausente ou ainda não se manifestou em sua plenitude e que ante seus indícios, por menores que sejam, necessário sua contenção, pois o calar do shofar já sabemos o que significa quem tomou o poder.


 

 
O Autor é Advogado, reside em São Paulo