A DECISÃO DE FRAUKE PETRY (AfD)
 

 

Frauke Petry renuncia candidatura à chanceler da Alemanha

Die Zeit Online

19 de abril de 2017


Presidente do AfD quer disputar as eleições federais sozinha ou ser candidata principal por um outro partido. Petry justificou sua renúncia devido à desentendimentos internos no partido

Frauke Petry não quer mais ser candidata a chanceler da Alemanha por seu partido. A presidente do AfD esclareceu em um vídeo na internet, que nem deseja disputar as eleições sozinha e nem ser candidata principal por partido.
Petry justificou sua decisão devido a brigas internas no partido. Para ela, o AfD precisa se decidir sobre “questões subjetivas” independentemente de decisões pessoais. De acordo com ela, a sua presença na convenção federal do partido, contribuiu para discussões das movimentações futuras e pela decisão de qual alinhamento o AfD fará no futuro. Petry queria fazer com que seu partido trilhasse o caminho de uma “política real” e se declarou contra uma “Indispensável Oposição”.

Ela acusou seus companheiros de partido de criarem oposições internas e de alimentarem essa situação. Segundo ela, há um ano sua candidatura foi lançada e em nenhum momento ela deu sua opinião a respeito. Seus colegas de partido, apenas teriam lançado seu nome, porém tal procedimento destruiu sua confiança e expôs pessoas. Frauke lamenta que o partido tenha aceitado tal situação.

No que diz respeito à questão da tomada de uma “política real”, Petry disse que o partido precisa se decidir e se mostrar ao mesmo tempo, mais flexível. Segundo ela, não foi sua intenção assustar os adeptos do partido, com suas formulações severas e perspicazes. “Eu estou disposta a oferecer conselhos num contexto que envolva reformulação de propostas e a chegada de consensos”.

A decisão sobre adiamento de propostas significou, que uma minoria forçou o AfD a tomar decisões não democráticas, num caminho em que ser democrático é fundamental para uma oposição. “Por muitas vezes, a situação do AfD parece ser um caos - também vale para a condução do partido - cunhada mais por provocações e menos representações”, disse Petry. Isso afugentou parte dos eleitores e claramente diminuiu o potencial de atração dos mesmos.

Durante o outono de 2015, o AfD atingia um potencial de 30% das intenções de votos e hoje conseguem 14%. As pesquisas de opinião em todo o país apontam valores de 7% a 8% dos votos.

Elogios pela decisão de Petry 

lbert Glaser, membro do Conselho Federal elogiou Petry por sua decisão. “Ela ganhou sua autoridade de volta”, disse ele ao Zeit Online. “Existem pessoas as quais observaram a perda de reputação de Petry”. O chefe do AfD no estado de Sachsen-Anhalt, André Poggenburg disse: “O partido agora pode discutir, sem data de retorno, a respeito do alinhamento estratégico sem reservas e dicotomias”.

As “Propostas para o Futuro” de Petry ainda serão votadas no dia da convenção do partido e Gläser apostou em uma não aprovação do documento. “Negar nossa programação é a essência do nosso partido”. Por isso ele espera que possa haver uma grande possibilidade para se chegar a uma conclusão e coordenar a programação eleitoral do partido. Albert Glaser, diz que há um perigo de perder o controle com uma grande quantidade de propostas.

Weidel no time principal

De acordo com Glaser, os delegados do partido decidirão, no dia da convenção em Colônia nesse fim de semana, se o AfD pode ocupar uma posição de liderança, na disputa eleitoral. Glaser acha que não é indispensável disputar as eleições como um grupo. “Isso na atual fase é muito artificial e não tem um significado prático”. Os integrantes do partido se manifestaram numa votação para uma coalisão principal e contra uma candidatura única, certamente com fraca adesão. A coordenação federal do partido também se decidiu a respeito.

Em conversas para uma possível candidatura em conjunto, o AfD está ao lado de Alexander Gauland, chefe da bancada do partido em Brandenburgo e da economista Alice Weidel, chefe da bancada em Baden-Württemberg. Ambos pertencem a executiva federal e Gauland é considerado um contrapeso liberal, o qual já sinaliza interesse em uma participação. “Eu acredito, que eles são necessários”, disse o integrante da executiva federal de Niedersachsen, Armin Paul Hampel, ao Zeit Online. Seu colega do Conselho de Hessen, Albrecht Glaser, também elogiou.“Weidel tem muitas qualidades. Ele tem uma boa relação com ela”, disse ele.

O AfD de Baden-Württemberg anunciou que recomendaria ambos para uma candidatura conjunta.
O porta-voz do AfD em Stuttgart, Ralf Özkara, disse ao Taggespigel: “Alice Weidel é uma ótima candidata para a nossa candidatura conjunta”.

Tradução: Márcio Alexandre