ATAQUES ANTISSEMITAS EM ESCOLAS ALEMÃS
 

 

Ataques Antissemitas: Estudante judeu é assediado por causa de sua religião

Por Julia Haak

BERLINER ZEITUNG  

02 de abril de 2017 
 

Quem dia desses visitou o site da Escola Comunitária Friedenauer, deparou-se com notícias a respeito de um incidente envolvendo um caso de antissemitismo e desde então, o fato vem chamando a atenção. Um estudante abandonou a escola após sofrer insultos e ataques violentos.
Os agressores foram expulsos da escola. Um requerimento correspondente já foi feito pela direção escolar e publicado em algumas páginas da internet. "Nós esperamos que o aluno se recupere do choque e do episódio discriminatório ocorrido. Desejamos a ele que durante a sua trajetória escolar, não ocorram mais tais conflitos e incidentes", disse o diretor da escola.

 
Judeus são todos assassinos

As provocações tiveram início há 4 meses. Entre os envolvidos no ataque antissemita está um garoto britânico de 14 anos, o qual imigrou com seus pais para Berlim e frequentava a Escola Comunitária Friedenauer já há algum tempo.  

O primeiro caso evidente de discriminação aconteceu depois de que seus colegas de classe, queixaram-se do fato dele ser judeu. O jornal de língua inglesa, Crônica Judaica, noticiou que seus colegas de escola disseram a ele: "Você é um cara legal, mas eu não posso ser seu amigo, porque todos o judeus são assassinos".

Ameaças com pistola

 No início de março, alguns adolescentes atacaram outro jovem estudante num ponto de ônibus. Ele foi esganado e ameaçado com uma pistola de brinquedo. Muitos estudantes assistiram a cena e acharam graça da situação. De acordo com reportagens, sua mãe o retirou da escola após o fato ocorrido.

Tempos atrás, os avós de jovens que sobreviveram o Holacausto, deram uma palestra para os colegas de classe de seus netos, como testemunhas contemporâneas. A escola também aceitou o desafio de realizar um contato entre especialistas muçulmanos e judeus do  Neuköllner Salaam-Shalom [1] de Berlim. 
  

Punições serão aplicadas

"Antissemitismo em nossa escola", assim foi o título da carta escrita pela direção da escola, em sua página na internet. "Antes de tudo, nós gostaríamos de expressar nossas lamentações e o repúdio ao fato de que num dia normal de aula, um aluno da escola passou por uma experiência antissemita".
 

A escola desde 2016 é parte do projeto "Escola sem Racismo, Escola com Coragem", dizia a página na internet. Quase 80% dos estudantes, responsáveis e professores se dedicam a esse programa. O projeto foi desenvolvido para esclarecer aos alunos a respeito do antissemitismo. A escola se posicionou contra o incidente e puniu os alunos agressores. Nesse período, a instituição educacional, iniciou contatos pedindo apoio à Instância de Antidiscriminação da Administração do Senado.

Casos diários envolvendo hostilidades de jovens

 Friedenauer há alguns anos, foi palco de brutais ataques antissemitas. O rabino Daniel Alter foi em 2012, testemunha ocular de um ataque a sua filha menor, apenas por ter dito que era judia. O Comitê Judeu Americano e a Associação Judaica do Fórum pela Democracia queixam-se há anos do antissemitismo, pois diariamente ocorrem incidentes em Berlim. A Reach Out, organização de assistência às vítimas, divulgou que só em 2016, ocorreram 31 ataques antissemitas.

O resultado de uma pesquisa feita com os estudantes, por ordem do Ministério do Interior, claramente mostra que o preconceito de muçulmanos contra os judeus é maior, do que os não-muçulmanos. No entanto, a polêmica tem a ver principalmente com a fé e crenças.

Geralmente as características antissemitas nos adolescentes são reflexos das posições preconceituosas de suas famílias. Os fundamentos são na maior parte devido ao conflito árabe-israelense.
Atitudes antissemitas representam, segundo um longo estudo da Universidade de Bielefeld, algo entre 15% e 30% da população alemã.

Tradução: Márcio Alexandre