ALEMANHA: ELEIÇÕES INDEFINIDAS
 

 


A onda vem, a onda vai.

Eleições Estaduais em  Saarland [1]

Em Saarland, o efeito Schulz não teve resultados e a popularidade da Ministrapresidente do  CDU {2} venceu. As eleições federais prometem se bem agitadas.

Heribert Prantl

SÜDDEUTSCHE Zeitung


26 de março de 2017

 

A onda vem e a onda vai. Em uma democracia, badalações não contam, mas sim o resultado das urnas. Isso o  SPD [3] pôde constatar nas eleições em Saarland, onde eles acabaram ficando para trás.
 

Quando os resultados das pesquisas de opinião de Saarland foram divulgados, criou-se uma grande euforia por Martin Schulz, do SPD. A euforia do SPD, logo se tornou desilusão, com o resultado das urnas, mostrando que a ressurreição do partido estaria longe de alcançar os céus. Mostrou-se que um tipo de euforia, a euforia dos eleitores não continua de forma automática. Para aqueles que acham que a “Schulzmania” transtornou o Union [4], o resultado as eleições pode ser considerado um laboratório. O surpreendente crescimento de Schulz não somente foi inesperado, mas também o sucesso de Annegret Kramp-Karrenbauer,a vencedora das eleições em Saarland.

Ângela Merkel diria a si mesma: “Agora tudo ficará mais tranqüilo”. Pode ser, mas a chanceler não conseguirá colocar a sua cabeça no travesseiro durante a disputa eleitoral.

O tempo que o AfD corria urgentemente por vitórias, já passou

Sabe-se que Saarland é apenas um microcosmo, mas em tempos de agitação, os resultados em um microcosmo, podem funcionar como um oráculo. E o que o oráculo diz no momento?

Ele diz: “A esperança do SPD alcançar a obtenção de troca de poder no governo federal, não foi completamente destruída, mas de certa forma, atenuada”. Será que SPD e CDU estão em pé de igualdade?

As pesquisas de opinião em Saarland prometiam essa igualdade, mas a distância entre ambos, se tornou algo claramente incomum. Não ocorreu o que se esperava. Saarland não apenas mostrou que a árvore socialdemocrata não atingiu os céus e os cristãos-democratas permaneceram demasiadamente absolutos.
Uma outra lição a respeito de Saarland: As disputa acirrada entre o CDU, de Merkel e o SPD de Schulz, triturou os partidos menores. O  FPD [5]fracassou e ficou para trás nas eleições estaduais. Os  Verdes [6] são os maiores azarados até aqui. E o AfD?

A época em que o partido corria freneticamente por vitórias, já passou e o seu declínio nas pesquisas começou. E finalmente o  “Die Linke”[7]. Tudo tem um fim e Lafontaine teve 3 fins, mas agora terminou de vez. Em todas as últimas candidaturas lançadas de Oskar Lafontaine nunca atingiram valores altos de aceitação.

Nem o SPD, nem o Die Linke atingiram as expectativas

A percentagem de votos para o “Die Linke” novamente decaiu. O fim de Lafontaine parece não ter sido esperado. Não há mais brilho. Seu fim será logo ali, onde ele começou a sua ousada carreira, 50 anos atrás. Ele teve papéis em Saarbrücken, Saarland e resumindo, na República da Alemanha, da qual ele precisou ter capacidade de conseguir modificar o movimento de um redemoinho. Lafontaine gostaria muito de  “deixar a piscina transbordar” [8], de forma tão forte, que Merkel conseguiria apenas esvaziá-la no outono, caso um governo federal a tomar posse fosse Vermelho-Vermelho, ou seja, SPD + Die Linke. Nem o SPD e nem o “Die Linke”, preenchem essa expectativa, pois se apresentam de forma própria .

O que resta para Lafontaine? 

O que aguarda para a grande final desejada?

Em todo caso, uma união Vermelha-Vermelha foi uma opção nas eleições de Saarland e no oeste no país. Poderia ser também em todo o país. Nessa disputa eleitoral os Vermelhos e Vermelhos Escuro, ou seja, SPD + “Die Linke”, estão se aproximando, o que pode significar uma união em toda a Alemanha. Ainda não há muita aproximação entre o “Die Linke” e o SPD na parte oeste do país. A relação entre os dois partidos vermelhos, ou melhor, socialistas existe apenas nessa região e em lugares em que há grandes insatisfações. As mais recentes gentilezas e simpatias. Será que prosseguirão?

Schulz, o novo presidente do SPD, e Lafontaine, presidente e fundador de um novo partido de esquerda demonstram simpatia entre si. Eles encenam entendimento e harmonia. A consonância desse projeto está no fim da vida política desses homens, os quais uma vez portavam a luz dos sociaisdemocratas e depois se tornaram Lúcifer. Durante anos, um socialista de Lafontaine, não consegue mais abocanhar um pedaço do pão. Agora, depois de anos de descer uma fenda abissal, ele tem a expectativa de tomar a vaga que ficará livre após a mudança de poder no governo.

SPD e “Die Linke” começam a se entender. Será que Schulz agora, após a experiência em Saarland, irá novamente se distanciar nas pesquisas?
Seria um primeiro indício de que ele tem a capacidade de ascenção. Em todo caso, a relação Vermelha-Vermelha já começou e o onde precisa iniciar, na terra natal dos homens que eram a personificação da incompatibilidade. O círculo vermelho fechou-se?

Não, por que não é um círculo. A vida política de Lafontaine não foi um círculo, foi uma montanha russa e um trem fantasma, assim como a história do SPD. Sua montanha russa segue em frente.

A disputa eleitoral será emocionante.

NOTAS DO TRADUTOR:



]1] Estado alemão
localizado no sudoeste do país. Também conhecido como Sarre.

[2] Christliche Demokratische Union
Deutschlands
ou União Democrática
Cristã da Alemanha.



[3]  Sozialdemokratische Partei
Deutschlands 
ou Partido Social Democrata da Alemanha.


[4]  União
do CDU (União Democrática Cristã da Alemanha) e CSU (União Social Cristã).



[5]  Freie
Demokratische Partei –
Partido Liberal
Democrata da Alemanha
.



[6]  “Die
Grünnen” ou Partido Verde da Alemanha.



[7]  Partido
A Esquerda.



[8] 
Expressão específica. O que mais se assemelha na tradução é “surgir como
uma grande força”.



Traudção: Márcio Alexandre