O MEDO DA VERDADE: O TERRORISMO É ISLÂMICO!
 

 


A VERDADE NÃO, POR FAVOR, SOMOS BRITÂNICOS

Matando o mensageiro após os ataques em Londres

Bruce Bawer

FRONTPAGE MAGAZINE

27/03/2017

Depois do atentado de quarta-feira contra o Parlamento de Londres, a mídia britânica de esquerda expressou indignação - não pela forma terrível com que o Islam e o terrorismo islâmico transformaram a vida e semearam a morte em todo o mundo ocidental, mas à suposta depravação moral daqueles que se atrevem a ligar os pontos.

No Guardian,  Jon Henley e Amber Jamiesen ridicularizaram Marine Le Pen por "vincular o ataque de Londres à política de imigração, apesar do atacante ser britânico". (Eles enfatizaram o argumento "xenófobo" de Nigel Farage de que o ataque de Londres provou que as políticas de imigração e anti-muçulmanas de Donald Trump estavam corretas.")

Maya Oppenheimer do Independent censurou os comentários de Farage também, contrariando sua crítica ao multiculturalismo dizendo que ele "não mencionou o fato de que muitas das vítimas do ataque foram de fato estrangeiros". É desnecessário dizer que a questão não era a Britanidade  versus estrangeiridade. Era o Islam. Mas dizer isso era verboten. Como Theresa May disse (no que já parece destinado a se tornar uma declaração imortal), o "terror islâmico" não tem nada a ver com o Islam.

O Islam é uma religião de ódio. Mas quando esse ódio se manifesta no terror jihadista, o movimento esquerdista afasta-se da realidade desse ódio - que na quarta-feira passada enviou várias pessoas inocentes para um hospital ou um necrotério – mas para o suposto "ódio" que das pessoas decentes, obedientes às leis que já não aguentam o ódio jihadista assassino. Em vez de reconhecer que uma grande minoria (se não uma maioria absoluta) dos muçulmanos britânicos apoia a lei sharia no Reino Unido (e que mais do que alguns aplaudem privadamente o terrorismo), você deve invocar a fantasia de uma Grã-Bretanha em que todos os cidadãos, Infiéis e muçulmanos, compartilham os mesmos valores e vivem juntos em harmonia - exceto, é claro, para os horríveis islamófobos, que, simplesmente por mencionar as raízes islâmicas do terror islâmico, estão explorando o terrorismo, desonrando suas vítimas e subjugando a harmonia social.

E assim nós tivemos o editorial do Guardian sobre o ataque terrorista, que retratou os negadores da realidade como bons rapazes que acreditam em "estar juntos" e os que percebem a realidade como arautos do "cinismo". Embora elogiando os deputados por sua prontidão "em enfatizar a necessidade de solidariedade", o editorial deplorou Farage e o líder do UKIP, Paul Nuttall, que "renovou a sua campanha infundada e vergonhosa para enfiar uma cunha entre muçulmanos e não-muçulmanos na Grã-Bretanha".

Nesrine Malik [*] concordou. Quando ouviu pela primeira vez o ataque, ela sentiu um "nó familiar" no seu estômago. Por quê? Por causa do horror do massacre? Porque, mais uma vez, pessoas inocentes perderam suas vidas para a jihad? Não. Porque ela percebeu que mais uma vez teria que se preparar "para uma batalha previsível para separar os fatos da histeria, implorar um senso de proporcionalidade e suplicar que a dor e a raiva não se generalizassem". Para Malik, como para seus editores os verdadeiros bandidos não são os terroristas: são pessoas como Tommy Robinson (que "estava na cena agitando o ódio enquanto o choque ainda estava fresco") e Nigel Farage (que estava "destilando sua bile previsível").

A "ala direita", acusa Malik, estava simplesmente "esperando nos bastidores, quase agradecida de que os medos imaginários que tentavam provocar se tornassem reais". Agora, tente dar sentido a isso: Robinson e Farage estão vendendo "medos imaginários", mas na quarta-feira esses "medos imaginários" tornaram-se "reais". Não importa que os "medos", longe de serem produtos da imaginação de ninguém, sejam baseados numa experiência muito real de terrorismo. Atos em que milhares de pessoas muito reais morreram. "Não havia respeito pelos mortos, morrendo e sofrendo, havia apenas uma oportunidade", escreveu Malik.

Pelo contrário: é Malik e sua gente que mostram menos preocupação com as vítimas mortas do terrorismo islâmico do que com a reputação do Islam. Para Malik, Robinson e Farage fazem parte de uma "indústria do ódio" que, segundo ela, cresceu com cada um dos "três ataques terroristas islâmicos em Londres desde 2005". O que voês acham que o fato de Londres ter estado sujeita a três ataques terroristas islâmicos desde 2005 deixariam claro qual é a verdadeira "indústria do ódio".

O mesmo tipo de pensamento estava no Independent, onde um indignado Holly Baxter denunciou Robinson por dizer que os muçulmanos "estão travando guerra contra nós", que eles estão fazendo isso "há 1.400 anos" e que "os muçulmanos, hoje, compõem apenas 4 por cento da população do Reino Unido e olhe para o caos continuado e a destruição que eles causam. O que você acha que será como com 20 por cento"? Para Baxter, a declaração de Robinson era uma demonstração repugnante de ódio, e provou que "Londres Precisa de um prefeito muçulmano agora mais do que nunca "- pois, num momento em que o ISIS está estimulando a ideia de uma guerra entre o Islam e o Ocidente, "a existência de um prefeito muçulmano de Londres simbolicamente destrói essa narrativa desde o início".

Não, a existência de um prefeito muçulmano de Londres - um que defendeu terroristas, comungou com Imãs radicais, culpou o Ocidente pelo terrorismo e procurou punir o discurso anti-islâmico - mostra o quão bem sucedido o Islam tem sido nessa guerra. Os críticos do Islam, queixou-se Baxter, são "racistas" que deveriam "pelo menos ter a decência de admitir que tudo não passa de um ataque da extrema-direita, em vez de qualquer coisa a ver com "proteger os inocentes". Outra peça para o Independent: "Não admira que a extrema-direita tenha sido tão rápida em capitalizar o ataque terrorista de Westminster - ela depende de atrocidades que a confirmem". Essa "extrema-direita", ele fervilhava, era como um bando de "chacais cercando a presa".

Entenderam? Neste quadro, o chacal não é o terrorista - são os críticos de sua ideologia. Mantendo que os críticos do Islam "odeiam a própria idéia de comunidades cosmopolitas", Hundal exortou os londrinos a aprender com o espírito da Batalha da Inglaterra: "Mantenha a calma e continue". Mas há uma grande diferença entre agora e depois. Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos nomearam seu inimigo. Todos reconheciam abertamente o nazismo como uma ideologia monstruosa. E a mídia não respondeu aos bombardeios alemães no East End caluniando Churchill como um "Nazistófobo".

[*] N. do T.: escritora e comentarista sudanesa vivendo em Londres, @NesrineMalik

Tradução: Heitor De Paola