MERKEL NEGA TER CONHECIMENTO DE ESPIONAGEM AMERICANA
 

 



Merkel diante do Comitê de Investigações da NSA: "EU NÃO SABIA DE NADA" 

DER SPIEGEL

16 de fevereiro de 2017

Angela Merkel reafirma: “De modo nenhum ocorre espionagem contra países amigos”, disse a chanceler alemã no Comitê de Investigações do caso  NSA [1] . Ela disse que veio, a saber, tardiamente das ações de espionagem do  BND [2] contra países aliados.

A chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou em depoimento realizado diante do Comitê de Investigações do NSA o qual apura o incidente corrido com os EUA, de que não ocorre ações de espionagem entre os países aliados da Alemanha.
Em 2013, Merkel reagiu de maneira perplexa, a um provável grampo realizado em seu celular, pela agência americana de segurança, o NSA. Ela afirma não ter tido conhecimento do fato de o grampeamento ter partido de dentro do território alemão.

Merkel foi notificada pela comissão de investigações do caso NSA, a prestar depoimento como testemunha. Lá, perguntaram a ela o que ela sabia a respeito das práticas de espionagem do BND.

Por anos, o BND espionou aliados por conta própria, incluindo-se governos e instituições. A vigilância sobre as ações do BND é de responsabilidade do gabinete da chancelaria do governo alemão. De acordo com Merkel, o chefe do gabinete da chancelaria, Peter Altmaier, foi informado pela primeira vez em março de 2015, a respeito das atribuições do BND no incidente ocorrido. Desde então, o  ex-ministro [3] da chancelaria, Ronald Pofalla, havia terminado as atividades de fiscalização no órgão alemão, no outono de 2013 e segundo ela, não foi informada. “Eu não sabia de nada”, afirmou Merkel em depoimento à deputados alemães que participam das investigações no comitê.

Ordem política à vista 

 No BND, “déficits” foram descobertos e se trabalhou de uma forma para se encontrar essas incongruências. As atividades do BND são fundamentais, mas não estão apenas imersas em técnicas de espionagem e há possibilidade do órgão ser usado como um instrumento político.

Segundo Merkel, as escutas no celular feitas pelo NSA têm um significado irrelevante. Disse ela: “Permaneço e permanecerei focada nos interesses do povo alemão, do qual represento e defendo. Para isso venero a liberdade e a segurança do nosso povo”.

Quanto aos fracassados esforços em negociar acordos mútuos de espionagem com os EUA, Merkel disse que ela não tem a menor dúvida de que o lado alemão se dispôs a trabalhar de forma recíproca com os americanos. Um tipo de acordo de não-espionagem foi prometido pelo serviço americano de relações exteriores no verão de 2013. O governo alemão confirmou que não foi possível chegar a um plano político essencial com o regime de Washington.

O  Bundestag [4], em março de 2014, implantou uma comissão de investigações como um ato de reação, logo após as revelações de Edward Snowden sobre o gigantesco programa de espionagem do NSA. Ainda falta esclarecer até que ponto cidadãos e políticos na Alemanha estão ligados ou sofreram com as ações de espionagem do NSA. Além de tudo isso, ainda ocorrem trabalhos conjuntos entre o NSA e o BND.

Já ocorreram por volta de 130 sessões do Comitê de Investigações do NSA nos últimos 3 anos, onde foram entrevistados representantes do governo e trabalhadores do BND. A oposição trabalha para trazer Edward Snowden ao Comitê, mas até o momento não obteve sucesso.

O interrogatório poderia estender até tarde da noite, mas o depoimento de Merkel já foi concluído na presença dos deputados.

NOTAS DO TRADUTOR:

[1] Agência de Segurança Nacional dos EUA
[2] Bundesnachrichtendienst ou Serviço Federal de Informações da Alemanha
[3] A chancelaria do governo alemão é formada, não só pela 1ª Ministra, mas por diversos ministros de diferentes áreas.
[4] O Parlamento alemão

Tradução: Márcio Alexandre