A COLOMBIA PÓS SANTOS

 

O país que Santos nos deixa



Fernando Londoño Hoyos



Santos deixa uma país nadando em coca, agora legitimada. Seus áulicos na Corte Constitucional lhe aplanaram o caminho com o consumo, convertendo em dose pessoal. Agora ele acode ao Congresso para que autorize a produção. Somos o país da cocaína, produzida por camponeses que não têm alternativa, que centenas de milhares de jovens e crianças que não podem fazer outra coisa consomem, envenenados por milhares de selvagens que só carregam nos bolsos sua dose pessoal. O que resta vai para que os grandes cartéis a vendam nos Estados Unidos, onde segundo Santos estão os culpados do agravo.



Essa cocaína maldita é o princípio e a causa dos maiores desastres. Como produz tanto dólar, não deixa notar os escassos que são os legítimos. Como permite que cheguem tantas coisas baratas, de contrabando, esconde a inflação real, para felicidade do DANE (Departamento Administrativo Nacional de Estatística) e do Banco da República. Como emprega tanto bandido, tanta prostituta pobre, tanto infeliz camponês, tanto comerciante aproveitado, oculta o desemprego real, a ruína do campo colombiano, a tragédia moral deste país.



Quem sabe se a fatura mais pesada da cocaína, prêmio que Santos e De La Calle deram às FARC, seja a violência e o deslocamento forçado em Antioquia, em Córdoba, no Catatumbo, em Arauca, no Putumayo, em Tumaco, no Chocó, no Cauca, em Huila e Tolima, que se reflete nas zonas urbanas, fruto dessa beleza que Santos não deixa de legado, as ondas de micro-tráfico.



O Grupo Aval, dono dos bancos mais importantes do país, mostra no balanço uma queda de 13.5% de utilidades, que incorporada à inflação soma mais de 18%. Porém lança um SOS que ninguém quer ouvir: quando os bancos contarem a situação de sua pasta, a real e não a que denunciam na aparência depois de brincar de passar a mala entre eles mesmos, o estouro do sistema financeiro se ouvirá em todos os confins da terra.



A situação fiscal da Nação é uma calamidade. Quando chegar a hora de admitir a quebra de Eletricaribe, do FONADE, de Findeter, de Caprecom, de Saludcoop e do sistema de Saúde, e de tantos companheiros de tragédia, saberemos quantos anos e quantos sacrifícios passaremos antes de pôr as coisas em relativa ordem.



O endividamento público é insustentável. Não em vão Santos e Cárdenas fizeram tanta dívida como a que somados os presidentes da Colômbia contrataram, desde Simón Bolívar até Álvaro Uribe. E não há com que pagá-la. Entre servir essa dívida, cobrir as pensões e atender as transferência às regiões, vai-se todo a arrecadação tributária da Nação. E não movemos o salário para o primeiro professor, nem para o primeiro policial&hellip



A indústria está literalmente quebrada. Das micro e das mini empresas, que eram as que sustentavam o país, já nem se fala. Foram mortas pelos encargos fiscais, os requisitos, a papelada e a pobreza do consumo, açoitado pelo câncer do contrabando. Da grande basta ler seus balanços em 31 de dezembro passado. Cada desastre serve de consolo ao seguinte, o que é pior.



A condição da infra-estrutura é deplorável. Deixamos, amável leitor, que escolha um estado, o que quiser, para perguntar pelas vias terciárias. Maus caminhos de ferradura são todas, em qualquer parte. As melhores são as construídas pelas FARC para seu trânsito de armas e drogas ilícitas.



Saia de Bogotá para procurar o rio Magdalena. Conte-nos depois como foi entre Villeta e Guaduas, trecho no qual se perde todo o gado até esse ponto. A Rota do Sol II não se licitou, sequer, e a Controladoria calcula o custo de não tê-la em oitocentos bilhões de pesos por ano. A Rota do Sol III está paralisada. A Mulaló Lobogerrero não começa. O Túnel de la Línea se inaugurará, algum dia. A estrada para Villavicenio vinha bem, até que caiu a Ponte de Chirajara: nunca se saberá por quê.



Avançava a estradinha Girardot, La Dorada, porém, - que lástima! - também caiu a ponte. E do rio Magdalena, nem falemos. O Sr. Gonzalo Jiménez o acharia horrível. Com o belo que era.



Santos não construiu um hospital novo, nem um colégio novo e nem sequer uma penitenciária. Sobram delinqüentes e não há onde colocá-los. Andam em suas casas, depois de a Polícia tê-los capturado vinte ou trinta vezes. O trabalho para os juízes é esgotante. Deixar livre tanto malandro, fadiga? E o pior, o Acordo de Paz com as FARC. Já se sabe o resultado do capítulo contra as drogas. Porém, falta a reforma agrária. Fecunda semente para outra guerra. Porém as FARC têm dez assentos gratuitos no Congresso. Como se verá tudo isto desde um palácio em Londres?



Tradução: Graça Salgueiro