FATOS E DISCURSOS SOBRE OS BOMBARDEIOS DE ISRAEL SOBRE A SÍRIA

 


Bombardeios e o discurso sobre o fato

Por Peter Münch

SÜDDEUTSCHE ZEITUNG 

28 de abril de 2017

Israel inegavelmente destrói posições na Síria. Anteriormente, Jerusalém mantinha-se em um silêncio ferrenho, agora sua estratégia de comunicação mudou, provavelmente também para testar a reação de Assad.

Quando nas proximidades do aeroporto internacional de Damasco, às 03:30 hrs da manhã, seguidas explosões, rompem o silêncio da noite, os olhares se se voltam para Israel. Inicialmente a emissora de TV Al-Manar, pertencente ao Hezbollah, informa que provavelmente as explosões são oriundas de ataques aéreos israelenses. Logo, a agência estatal de notícias da Síria, Sana, dá informações sobre uma agressão israelense. Em épocas anteriores, ocorreria algo como um silêncio sepulcral de Jerusalém, porém agora, a notícia já é disseminada através do serviço secreto usando o rádio do exército, onde o ministro Israel Katz é responsável pelo Ministério da Inteligência. Ele está plenamente de acordo com a política de Israel. “Naturalmente, eu não vou dar mais detalhes a respeito”, completou o ministro. 

Ataques israelenses ao território sírio, já não são novidade. Desde janeiro de 2012 isso ocorre com frequência, não sendo mais um segredo. O regime de Jerusalém continuamente frisa que tentaria por todos os meios impedir o fornecimento de armas da Síria com o Irã, o qual têm ligações com o déspota Bashar Al-Assad e a milícia libanesa Hezbollah. Mesmo assim, Jerusalém de repente com uma coragem de confessor, entrou numa nova fase do conflito, apontando para um agravamento do perigo.

Uma vez o silêncio oficial em torno do ataque, seria uma longa garantia de que não se alcançasse a uma grande escalada. Antes de tudo, o lado sírio também se manteve numa discussão. Interesses se sobrepõem. Israel não queria ser empurrado para o pântano sírio e Assad não queria trazer uma correnteza contra si e ter que reagir a um ataque israelense.

Porém dois desdobramentos recentes mudaram as preocupações. Primeiro, o caso do dia 17 de março, onde um caça israelense bombardeou alguns objetivos na Síria e pela primeira vez, Assad revidou com baterias de foguetes anti-aéreos.

Essa foi uma mensagem clara para Israel, de que agora novas regras valeriam para o conflito e o quão Assad acharia importante testar Israel. O bombardeio pretendido ao depósito de armas no aeroporto de Damasco, na noite de quinta-feira, já foi um presumível ataque anterior ao domingo. E obviamente, Assad reagiu.

Na noite de quinta-feira, os militares israelenses informaram que um drone vindo da Síria foi interceptado nas Colinas de Golan. Agora ele está sendo analisado, a fim de se verificar, se ele pertence aos militares sírios ou eventualmente é um drone russo que se infiltrou no espaço aéreo israelense.

O segundo desdobramento diz respeito ao papel dos EUA, logo após a reação do presidente Donald Trump ao ataque com gás, no dia 7 de abril, que levou ao lançamento de 59 mísseis Tomahawk ao aeroporto de Homs. Os americanos devem de fato, como Trump já ameaçou, se engajar de forma mais intensa na Síria e Israel deverá segui-los.

Até o presente momento, sabe-se que Israel está cuidando de uma cooperação de segurança com a Rússia, a fim de tratar do assunto Síria. O Premier Benjamin Netanyahu articula mais encontros com o presidente russo Vladimir Putin para que as forças aéreas de Rússia e Israel não entrem no caminho uma da outra e para que Israel garanta uma segura liberdade de ação na Síria.

A cooperação entre Rússia e os Israel está em perigo, pois o governo de Netanyahu, certamente se posicionará ao lado de Washington, caso a Rússia entre em conflito com os EUA na Síria. A guerra na Síria poderia com isso, explodir a região por completo.

Tradução: Márcio Alexandre