A SITUAÇÃO LAMENTÁVEL DO BRASIL

 

Tempos sombrios

Osmar José de Barros Ribeiro

09 Abr 2017

Vivemos tempos difíceis. A sociedade brasileira (não a “sociedade civil organizada” preconizada por Gramsci), queda-se atônita face aos problemas e às soluções, sejam elas sugeridas pelo governo ou defendidas por grupos de interesse que vão dos sindicatos às associações de funcionários públicos.

Enquanto o Poder Executivo busca cortar gastos, os demais Poderes empenham-se em manter as benesses conquistadas à luz do desastre representado por uma Constituição dita “cidadã”, prenhe de direitos e totalmente omissa quanto aos deveres que deveriam embasar a nossa organização social.

Nesse cabo de guerra que exige a anuência do Legislativo, o Executivo quase sempre perde eis que atua numa feira livre na qual são feitos agrados a deputados e senadores em troca da aprovação de medidas políticas. Nesse triste e lamentável quadro, assistimos a recriação de ministérios, de secretarias e quejandos, sem falar na liberação de verbas e na aceitação de indicações despreparadas e/ou corruptas para funções técnicas.

Falta, à esmagadora maioria dos homens ditos públicos, aquele sentimento que deveria orientar seu comportamento: a certeza de que a coletividade está muito acima dos seus mesquinhos interesses pessoais ou políticos. Carecem daquela grandeza de caráter, apanágio dos grandes líderes, representada pela visão de futuro. Ignoram o valor dos bons exemplos e deliciam-se em corromper e serem corrompidos.

Em lugar de promover uma reforma política que dê a oportunidade de se fazer ouvir a voz do povo, defendem a imoralidade do voto proporcional, de preferência em lista, de forma a assegurar aos seus corifeus um lugar no paraíso da impunidade - o foro privilegiado - haja vista a lentidão da justiça no julgamento dos que fazem jus a mais esta vergonha nacional.

Salvo raríssimas exceções, nossos políticos esgrimam, com insuperável mestria, as armas da falsidade e da mentira e, com elas, ilaqueiam a boa fé de um corpo eleitoral em grande parte semialfabetizado. O poder, a ser alcançado por meios tanto lícitos quanto ilícitos, é o santo e a senha que os conduz. Reconhecer tal fato, esclarecer os iludidos e prestigiar os políticos honestos, será o começo de uma longa e difícil caminhada. Nessa estrada, os obstáculos a serem transpostos mostram-se pouquíssimas vezes à luz do dia. Via de regra disfarçados, seus autores planejam e executam emboscadas na escuridão da noite política em que estamos imersos.

Muito há a ser realizado e o tempo é escasso. A cada dia torna-se mais evidente que urge realizar uma limpeza nos partidos políticos e em seus quadros dirigentes. Tal tarefa deverá caber aos próprios militantes, ao não aceitarem que os fins buscados justifiquem os meios para alcança-los. E o exemplo está à mostra: o Partido dos Trabalhadores.

Esse partido que vem conseguindo iludir a tantos brasileiros buscava e busca ainda, mais que o poder hegemônico sobre o País, implantar entre nós uma ditadura nos moldes da existente na cambaleante Cuba, na desesperada Coréia do Norte e na agonizante Venezuela. Alguns dos seus principais líderes estão presos, outros gastam fortunas para fugir à Justiça, mas os remanescentes ainda lutam para fugir ao afogamento. A ajuda prestada a outras nações em detrimento do Brasil e a implantação de métodos escusos no trato da coisa pública, se refletem no brutal quadro de recessão econômica que atravessamos.

Hoje, mais do que nunca, devemos acautelar-nos contra o discurso faccioso daqueles que, sob a capa da honestidade e dos bons propósitos, escondem a intolerância e a saudade de tempos que, prazam os céus, não hão de voltar.